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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Não sabe de amor

Não sabe de amor, exceto se você já...
Ficou acordado a noite toda esperando um filho voltar da festa...
Adiou ou desistiu de um projeto pessoal para dar atenção aos seus pais, tios ou irmãos...
Sentiu a angústia intrínseca ao ouvir as histórias de um idoso, e ainda assim aprendeu com elas...
Chorou com o abandono e a tristeza de uma criança que nem conhecia e deixou de almoçar para alimentá-la...
Convenceu a família a deixar um cão de rua na sua casa por uns tempos... Tempo infinito.
Foi a um show sem a menor vontade apenas para ser parceiro...
Admitiu, meio encabulado, que se emocionou com o carinho de um amigo num dia em que estava de mal com o mundo...
Duvidou de Deus, mas nunca deixou de acreditar Nele e Temê-lo...
Apanhou uma rosa e acabou não entregando a quem pretendia...
Escreveu e reescreveu mais de dez vezes um poema que nunca mostrou...
Ouviu músicas românticas para provar e provocar lembranças...
Sentiu saudade...
Sentiu saudades...
E sentiu mais saudades ainda de tudo o que viveu, pois viver é construir a própria história, orgulhar-se dela e relembrar sorrindo quando as recordações povoam a mente.
Não sabe de amor...
Exceto se destinou algum tempo para vivê-lo.
Moacir Luís Araldi

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Livre ou humano

Seria simples
se não fosse humano...
Não tem jeito
a rima que domina é engano
seria simples
se não fosse fácil
mas acontece
com Fulano, Beltrano e Cicrano
humanos
arrancados do nobre anonimato
sim, nomes são o grande engano
nome de gente
de cor
de raça
de classe
de credo...
Cruz credo!
Nome de país
de língua
de clube
de lado
de salgadinho frito recheado
de embutido redondo
de odor marcado
e sobrenomes, então!
odeio nomes
etiquetas
carimbos...
de gráfica, só gosto de livros
quero ser livre
então nada devo querer
nem mesmo ser livre
pois “livre” é codinome
e esconde
a essência do significado
disso
que nunca serei

sábado, 19 de agosto de 2017

Catando verdades entre os escombros (excerto)

(...)
Durante aquele momento chamado vida, E. Godoi achava que não pertencia ao mundo. Existia ele, E. Godoi, e o mundo considerado como tudo e todos fora dele. O mundo era aquilo que ele via girando ao seu redor. Nele estava tudo o que E. Godoi desejava para ser feliz. Como não havia qualquer identidade entre E. Godoi e o mundo, a felicidade nunca estaria nele.
Por que o mundo era tão carrasco? Por que a vida fez de E. Godoi sua grande vítima? Ele se acostumou e não sabia viver de outra forma, senão triste e esperando do mundo a sua felicidade.
Nem mesmo havia uma ponte entre o mundo e o pobre E. Godoi, e a culpa era do mundo, claro, pois não seria E. Godoi o responsável por construir essa ponte. Afinal, por que E. Godoi implodiria toda uma estrutura mental, construída ao longo de uma vida, para usar escombros, construindo uma ponte entre ele e o mundo. Seu reconhecido sofrimento era sua aprazível zona de conforto.

(...)

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Clones da Razão

Dona Razão é uma dama fácil. Anda com todo mundo.
É única, porém, não é raro que esteja com um e outro ao mesmo tempo.
Estranho não? Seriam clones da Razão??
Mas o interessante é que os clones são invisíveis. Então, se estou com a dona Razão, você não está, porque não vejo nem mesmo seus clones mal feitos. E nesse mundo concreto, existe somente o que vejo.
Claro, para você acontece o mesmo. Dona Razão está com você, é sua amante fiel, nunca o abandona. Você se orgulha disso e se pavoneia, alardeia, porque não a enxerga também, bem aqui do meu lado, na minha frente, atrás, sobre mim... Dona Razão é boa assim, sim!
É daqueles prazeres breves e, portanto, intensos, superáveis apenas por um Señorío de Ayud, ou qualquer outro tinto (seco, por favor!).
Quem será que está com a verdadeira Razão? Quem será que tem um clone ilegítimo?
A Razão, toda cheia de razão, então, assiste de camarote à disputa tola entre proprietários de clones espúrios, fabricados pelo seu arqui-inimigo e amante sadomasoquista, Sr. Ego.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Olho por cima/olho por dentro

Chegou o dia, em que me percebo com os óculos na ponta do nariz!
A primeira imagem que me vem é a da mamãe noel dos filmes… bem daquele jeito...
E agora eu vejo, com esses óculos, que não estava certo “olho por olho, dente por dente”.
O ditado original era: “olho por cima, olho por dentro das lentes”.
A tal expressão vingativa é, provavelmente, mais um daqueles ditados deturpados de ouvido em ouvido do tipo: batata que esparrama, mármore que escarra, gato usado em caça, ofício com esqueleto, coisas assim... e Roma, então, que passou a receber turistas bocudos, em vez de vaias.
Mas os óculos na ponta do nariz são algo prático e, com a idade, precisamos ser práticos, especialmente porque lente multifocal é cara... e feia... e dá trabalho do mesmo jeito, dizem.
Além do que, enxergo muito bem e longe, bem longe mesmo, tipo superpoder. Aliás, tenho todos os sentidos superaguçados. Queria que existisse, de verdade, um Prof. Xavier, pois, mesmo já usando óculos na ponta do nariz, ainda não sei lidar com meus supersentidos mutantes. O bom é que são invisíveis.
Por falar em invisíveis, voltemos aos óculos.
Será que estou com aquela cara de sábia anciã? Sobrancelhas levantadas, lábios contraídos, olhando o mundo sob (e sobre) uma ótica multifocal?
Ah, hoje em dia é fácil saber... farei um (ou uma? Nunca sei) selfie a “mamãe noel”.
Mas não funciona assim. Não dá certo, porque já é automático: olho meu rosto na tela e já me coloco num ângulo meio oblíquo, pra esconder a cicatriz do lado esquerdo do nariz, onde os óculos fazem cócegas… e tento sorrir sem forçar muito os pés de galinha, além de levantar o queixo pra disfarçar o papinho. Também sei que vou clicar umas 150 vezes, mudando milimetricamente o ângulo, em relação à luz, pros buraquinhos de acne não ficarem com sombra…
E, claro, vou acabar endireitando os óculos...
Tá, pelo menos na ponta do nariz vou tentar deixar.
Mas não sou fofinha como a mamãe noel. E minhas bochechas não são rosadas, por causa da base... têm cor só quando tem espetáculo. Odeio blush!
E coque? Não, né... pouco cabelo. O coque da mamãe noel é poderoso. E meu cabelo é pintado, claro!

Ah, deixa pra lá! Nem estou usando vermelho!

domingo, 6 de agosto de 2017

TRAJETÓRIAS CONVERGENTES *By Arnaldo Leodegário Pereira






TRAJETÓRIAS CONVERGENTES 
Filhos que não perdoam seus pais Flávio e Aparecida: Flávio não perdoa seu pai, pois o mesmo judiava de sua mãe e de seus irmãos pequenos há mais de trinta anos. Aparecida não perdoa seu pai, pois (ele) espancava sua mãe e batia em seus irmãos há mais de trinta anos. Detalhe: os dois não são irmãos, nem se quer se conhecem. Flávio sente falta de seu pai, que foi embora e nunca mais apareceu. Dele só restou a triste lembrança do espancamento e dos maus tratos a sua mãe. Flávio cresceu e tornou-se um homem revoltado com problemas de saúde, de baixo-estima e problemas com seus irmãos. Flávio é casado, leva vida honesta, porém cultiva muita mágoa no seu coração. Sua vida profissional é um tanto conturbada, ele tem dificuldade de parar em empregos, problemas de relacionamento com seus colegas de trabalho e com seus patrões. Disso também lhe restaram dificuldades financeiras. Aparecida, embora tenha seu pai presente não aceita conviver com ele. Dá-lhe desprezo e indiferença. Não o suporta, nem consegue encará-lo nem mesmo à mesa para tomar as refeições. Se ele estiver na sala ela vai para a cozinha e vice versa. Está sempre a se queixar dele, e culpá-lo pela sua infelicidade, e de sua mãe. Vive amargurada, guarda muitas mágoas e rancor, não consegue afirmar-se com um namorado, queixa-se de debilidade de saúde, como depressão, fobia, enxaqueca, e urticárias pelo corpo. Formada em arquitetura alega dificuldades para exercer sua profissão. Flávio é corretor de imóveis, apesar de esse ser um ramo promissor ele está sempre desempregado. Ele sofre de bronquite alérgica, depressão e rinite alérgica, porém procura refugio no alcoolismo, e em seus momentos de embriaguez chega ao delírio, fala em um dia poder acertar as contas com seu pai, ou mesmo cometer um homicídio. Com muita mágoa alega que só não procura seu pai para tal finalidade porque em alguns momentos de reflexão pensa muito em seu filho pequeno e em sua esposa carinhosa. Aparecida tem muita dificuldade de relacionamento com seus colegas de trabalho. Ela sente muita mágoa, tem mania de perseguição e sempre afasta seus possíveis pretendentes alegando que não quer sofrer e passar com um esposo por todos os maus tratos que sua mãe sofreu. Já passaram se mais de trinta anos. Se fosse mos fazer uma viagem ao passado e submeter o pai de Aparecida e o pai de Flávio a um tratamento com um analista e um psicólogo, será que não acabaríamos por descobrir que os dois teriam sido eles mesmos vítimas de algum fato trágico ou mesmo de violência em algum momento da vida? Ou o mal que eles praticaram. Esses atos de brutalidade não seriam o reflexo de algum dano que alguém lhes causou em suas infâncias ou adolescências, e assim os mesmos também seriam vitimas? Flávio: será que seu problema de saúde é mesmo de ordem física?... Aparecida: terá a medicina remédio apropriado para os seus males?... Os dois devem deixar para trás as mágoas e rancores do passado para serem felizes livres desse fantasma?... Obs: (essa narrativa é extraída de fatos reais). Este texto está protegido pela lei de direitos autorais 9.610/1998. Arnaldo Leodegario Pereira

domingo, 2 de julho de 2017

Escrever... Continuamente By Liége Vaz



Escrever é uma arte que reproduz nos amantes da boa escrita o gosto frenético de varar dias e madrugadas externando seus pensamentos, que podem se originar de abençoadas leituras ou recriações do próprio marco existencial.

Decerto, são sentimentos que emergem da alma como se fossem gotas suaves de orvalho, originárias das frias manhãs, permitindo sentir na mente o gotejar nas pétalas das flores, quando a natureza se faz presente em cada escritor, perpetuando-se nas suas diletas inspirações.

Os frutos da escrita entremeiam-se nas vivências contextualizadas por observações do mundo circundante, de maneira que se construa uma lógica textual conectada por um olhar holístico, no qual nossas incursões se multiplicam, quando promovemos o seu compartilhamento.

Nesse momento, cabe ao leitor internalizar cada palavra, dialogando com o texto de forma pessoal, podendo emitir conceituações que estejam dentro das suas próprias experiências.

Escrever para muitas pessoas torna-se um hábito, e nessa completude não sou diferente. Optei por duas profissões que exigem muito de um sistemático apego pela leitura e escrita, para sucesso do meu trabalho – advocacia e professora. Dessa forma, não acredito numa existência sem o aprendizado e, muito menos, sem a apreensão do exercício da palavra – falada e escrita - como melhor meio para galgar espaços importantes na sociedade contemporânea.

O corpo carnal tem breve ancoradouro de vida, mas durante toda a sua jornada existencial necessita do conhecimento, para que o indivíduo possa fazer uma leitura de mundo coerente e assertiva. Somos escritores! Vamos à luta para, com o que escrevemos, levar ao público aquilo que trazemos de melhor dentro de cada um de nós – nossas construções literárias, científicas, poéticas, jornalísticas, profissionais e pessoais.

Uma boa escrita traz no seu bojo uma valiosa organização das ideias e argumentos do autor, podendo ser uma fiel transcrição de sentimentos e pensamentos que margeiam uma determinada realidade. Também, torna-se um estímulo a criatividade, sendo essa uma das principais premissas de quem escreve e que tem no leitor seu alvo, para que esse seja capaz de viajar na história, imerso no que está transcrito, transformando em magia uma leitura prazerosa.

Assim, quem gosta de escrever estar sempre exercitando competências e habilidades importantes para o desenvolvimento de determinado texto, além de ser capaz de ler e reler várias vezes a sua proposta narrativa, para atingir com perfeição os seus objetivos.



- Liége Vaz – 03/julho/2017 –Olinda/PE-BR

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