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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Maria Moderna * By Rogério de Moura


Maria Moderna



Maria moderna é uma ex-mulher.
Quebra a perna, mas não sai do salto.
Politicamente correta, discreta, a melhor.
Às vezes fuma, às vezes bebe, às vezes toma fluoxetina...
Percorre grandes distâncias em pequenos atos.
La vai a Maria ansiosa fazendo fumaça.
No caminho faz seus ritos.
Vai Maria, vai depressa!
És Maria dos Aflitos?

Maria moderna é uma ex-amiga.
Trabalha muito, é auto-suficiente,
Solicitada sempre às pressas não se junta e nem se espalha.
Saiu da roça, saiu do tanque, saiu de casa e,
Está no grupo dos iguais, não se atrapalha.
Num meio tão seleto só tem dez iguais.
Cuidado Maria, olhe a vaidade, vais perder a identidade...
Não és mais a Julieta, és Maria Antonieta?

Maria moderna é uma ex-filha.
O pai partiu, a mãe morreu, os irmãos sumiram, o marido escafedeu-se,
Os filhos vão e vêm, amigos, às vezes, têm...
A Maria articulada não está com a família,
A Maria sem estada, a Maria fugidia.
É Maria Imaculada?

Maria moderna tanto-fez-tanto-faz,
Sempre lá, às vezes cá, no canto, a sós.
A Maria tem seus nós,
E não pode sentir dor,
É Maria sem amor...
Seu destino é o vibrador?
Mas a Maria merece amar,
Homem, senhor, rapaz,
Ou mesmo a Maria José,
E tome mais este dilema:
De Sapho a Maria Madalena.

Maria moderna a independente,
Fez in vitro até gente,
Arranjou outra parente,
A Maria da faxina,
Que na falta não faz falta,
E lá vai a Maria empresariamente moderna, e Maria:
Lava roupa, faz comida, troca o carro, paga conta,
Saca dinheiro, lava quintal, lava cachorro, arruma cozinha,
Troca roupas, troca fraldas,
Troca de trabalho, troca fraldas,
Troca as crianças na escola, troca fraldas,
Esquece o filho no carro, troca fraldas,
Troca lâmpadas, troca fraldas...
“Mããiiiêê! O bebê tá acendendo!”
Ufa! Que estressante!

Como cabe tanta Maria numa só...
E ainda tem mais Marias: a da Concepción, a das Graças, a Auxiliadora, a de Lourdes, a Encarnación, a do Céu, a das Dores, a de Jesus, a do Socorro, a da Misericórdia, a do português da padaria...
A Pietá!
E a Maria Moderna... onde está?

Rogério de Moura

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

POÉTICO *By Carlos René Oliveira


Imagem: Compartilhada de Amarisso New York

POÉTICO

Wellington D'Alessandro Filho, Escritor de livros de mistério, espionagem e ficção científica alcançou considerável reconhecimento do público e da crítica com quatro livros publicados em edições na Inglaterra e posteriormente no Brasil. Brasileiro, que adotou pseudônimo para todas as edições. Um de seus livros sobre a Inteligência Artificial alcançou grande sucesso.

Ele decidiu ingressar no mundo poético, fez estudos, e para tanto criou, uma página no Facebook com o seu verdadeiro nome sem qualquer adjetivo em acréscimo, e começou a publicar poemas razoáveis e bons. Na Apresentação: Poeta. Tinha também com o seu ingresso nesta Arte um outro objetivo que não apenas o diletantismo ou vaidade.

Ele era cuidadoso nas imagens em suas publicações, muito bem tratadas e adequadas aos textos, usando a sua experiência de Publicitário e Artista Plástico.

Página aberta, publicou diversas vezes para o público em Geral e se esmerou, nos títulos, nas primeiras palavras que iriam circular como notificações. Exemplo: " O Amor na Ilha da Agonia", onde estaria contida toda a força de chamada.

Sementes bem lançadas, surgiram interessadas em conhecer o novo Poeta, normalmente mulheres apreciadoras do romantismo, a se verem nos escritos, a receber uma atenção mesmo que longínqua.

Definidos os princípios de sua publicação, esmerou-se D'Alessandro no tratamento respeitoso e cortês. Ele publicava também músicas de Roberto Carlos, por ser o Artista aquele que mais valorizou a mulher em toda a sua carreira.

Textos pequenos de interesse geral, algumas abordagens leves de comportamento, moda, etiqueta, culinária e muitas imagens de animais, cidades, turismo, artesanato, conhecimentos adquiridos nos seus Ofícios.

Junto a ele foram para a sua página quatro profissionais da sua Agência, que representaram o seu Staff, e outras pessoas do mundo da Internet, sem vinculação direta com a Poesia.

E até se surpreendeu com o bom desenvolvimento e aceitação da página.
Minucioso, examinava cuidadosamente todos os comentários que chegavam, as curtidas e tratava com atenção os comentários, sempre personalizadamente.

Examinava as miniaturas das fotografias, ia às páginas e as vasculhava sob o aspecto da intelectualidade e dos sentimentos de quem comentava.

Quando aquelas Leitoras ou Leitores voltassem aos box de comentários de outras publicações, ele tinha dados para uma maior atenção. As páginas que visitava em pesquisas eram quase sempre abertas, ia aos amigos e tudo anotava.

Um novo Poeta na Praça chegou ao conhecimento de uma inteligente, ótima Poetisa, bela e excelente estrategista - Sonia Gonçalves - à procura de novos nomes a trazer a lume no seu Grupo.

Os dois executaram um bailado e, convidado, Wellington D'Alessandro Filho, acolheu e passou a colaborar no relevante Grupo brasileiro e também no Blog, neste ingressando ainda em temas de mistério e psicologia.

Artista novato, por duas vezes na semana, comentava também as publicações de outros Poetas, abrindo um leque de mais alegria, comunicação e aperfeiçoamento.

A Poetisa Líder participava ativamente destas Rodadas, consideradas Saraus pinga-fogo. Ele estava fazendo amigos.

Ele observou que Luna Kássia, uma linda mulher inteligente de forte presença, o acompanhara ou no Grupo Poético já se encontrava. E o que mais o encantava era a sua inteligência. Igualmente Poetisa.

Aquele tipo de mulher que brilha numa conversação, ingressando num ambiente como uma Modelo do Campo, pela refinada simplicidade. Mulher que em silêncio fala com os olhos, os sorrisos, os gestos delicados. Tudo que um homem ajuizado gostaria de ter ao seu lado.

D' Alessandro um expert em expressões e identificação facial, foi se aprofundando na analise de Luna. Sua localização atual era uma ilha grega e a nacionalidade, Portuguesa.

E neste trabalho foi se encantando, se enamorando por aquela mulher . E, como sempre ocorre no mundo da Poesia, foi dando a ela uma atenção especial, umas palavrinhas bem estudadas respondendo os seus comentários ou comentando as suas Poesias.
E com grande cuidado para não chamar a atenção.

Mas neste metiê todos são macacos velhos, onde o mais bobo sobe pau de sebo de costas.

Um Leitor e também Poeta, Paulo Lira, fino no trato, deu um toque em um comentário: - Poeta D'Alessandro, a Poetisa Luna está atrasada. Ela não é disto. O que terá ocorrido ?

Disfarçou D'Alessandro: - Realmente, Poeta Paulo Lira. E eu gosto tanto dos comentários dela. Também dos seus que são muito pertinentes e bons.

D' Alessandro começou a dedicar atenção a outras e outros. Disfarce ou boas intenções ?

Até que ele publicou um Poema que continha:

"... Gaivota, atravesse o Oceano.
Você é capaz e sabe, por instinto, a direção.
Deixe na janela do seu atual amor
uma cartinha explicando, por alto, o seu novo voo ..."

Desandaram as declarações de Amor de Luna, apaixonadas, fortes no Messenger, respondidas com afeto e entusiasmo; versos e bordados.
Amaram-se. Fizeram planos. D' Alessandro enviou fotografias da casa onde residiriam no Brasil, comodidades para uma eleita entre tantas. E Luna abriu a sua vida em detalhes para o seu apaixonado. E assim foi por um bom tempo.

D' Alessandro havia montado um esquema de apoio com duas publicitárias da Criação um de Atendimento e um Redator Especial da sua Agência que se filiaram ao Grupo e que já atuavam na sua página.
Além da Escritora Margarida de França, em de São Paulo, sua Amiga pessoal, forte presença no bater o martelo final.

Torcidas normais que podem ocorrer no Mundo da Poesia. Sendo indispensável a discrição e até algumas indagações de disfarce ao Poeta-Líder.

No final da tarde, em cafés, bistrôs a equipe de D'Alessandro estabelecia os rumos da Poesia e logo seus colegas cuidaram da contenção dos laços amorosos daquele que estava se perdendo.

Numa visita que fez D' Alessandro à página de Luna, verificou uma publicação com diversas fotografias de Luna e um senhor bem mais velho, aparência perfeita de milionário, ambos com roupas de banho, mergulho, chapéus num iate, em bares, lojas da moda. Abraços e beijos.


A alegria estampada por ambos parecia verdadeira e a localização, de fato, era no Mediterrâneo. Na única fotografia em que Luna estava sozinha, D' Alessandro fez um comentário delicado. Ela retirou dois dias após toda aquela publicação.

A partir deste dia ocorreu o inesperado. Luna desapareceu da sua página e do Grupo. Decorrido um razoável tempo, a Equipe de Apoio de D'Alessandro autorizou a publicação da análise da Letra de uma canção. Um teste fortíssimo:

" Olha
No brilho de uma estrela que já não existe
É lá que meu amor te vê e ainda insiste
Como se calculasse um mapa astral

Juro
Eu não te quero mais como eu queria
Se o coração me ouvisse não andava assim
Pisando em cacos de amor " Cacos de Amor"
Composição de Luisa Possi, que interpreta com sua Mãe Zizi Possi. ( Link e Letra no primeiro comentário)

Um sucesso na Página e no Grupo. Mas nenhum eco de Luna.

Todo Poeta tem um mote musical e D'Alessandro assumiu estes versos.
Sempre nos seus Poemas e Crônicas, que abordavam questões tristes, de solidão , ,eçamcolia, ao final ele apresentava uma Porta, uma Redenção da Dor.
Quase ninguém era responsável pela sua dor.

E com este estilo de reflexão e janela para o Sol obteve duas Distinções Poéticas em apenas nove meses. Tempos da ausência.

Vários meses após a separação, os sentimentos de amor não poderiam subsistir, pelo seu temperamento e dinâmica dos trabalhos da Publicidade, e da Poesia.

Prosseguiu no trabalho poético até de forma melhor, mais solta. A entusiamada participação da Poetisa Sonia Gonçalves prosseguiu, despertando os diversos Poetas a ver o coletivo da Poesia: abraçando, incentivando outros, em congraçamento.

Ela sentia que D'Alessandro, um Condor Andino, voava com uma asa ferida e redobrava-lhe a atenção com alegria, entusiasmo.

A Poesia ajudou em muito o trabalho de criação da Agência de Publicidade nos textos que se tornaram uma boa novidade no mercado.

Este sempre foi o objetivo especial que levou D'Alessandro a ingressar na Arte Poética. A perfeita compreensão da linguagem e dos anseios sentimentais do público.

Wellington D'Alessandro Filho já estava concluindo mais um livro de mistério. Trabalhando a plenos pulmões, contente, quando recebeu na sua página e com publicação no Grupo uma canção, acompanhada de umas poucas palavrinhas inocentes, publicada por Luna.

Outra Vez - interpretação de Gal Costa - Composição de Roberto Carlos, o Artista da estima D'Alessandro.

" Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi, dos amores que eu tive,
O mais complicado e o mais simples pra mim
Você foi o maior dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu ...
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar
De tudo outra vez..."

Carlos René Oliveira. Brasília - Distrito Federal - Brasil, 10/11/2017.
Imagem: Compartilhada de Amarisso New York.

Outra Vez. O Link e a Letra também no Segundo comentário:https://www.youtube.com/watch?v=pKtnIqsGvTk

" Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi, dos amores que eu tive,
O mais complicado e o mais simples pra mim
Você foi o maior dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu ...
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar
De tudo outra vez....
Você foi
A mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi
O caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez
Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade
Sem nada perder
Você foi
Toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
só assim sinto você bem perto de mim"

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

VOCÊ É MAIS UM

É interessante ver como as pessoas, no geral, assustam-se quando descobrem que alguém não sabe algo que elas sabem há anos. É como se olhassem para extraterrestres, que nunca estiveram no planeta Terra. O fato é: quanto mais velhos ficamos, maior é nossa obrigação de saber tudo, sobre tudo, perante os demais seres humanos. E não importa se eles não sabem tudo, sobre tudo. Você tem que saber!
Há pessoas com todo o tipo de conhecimento. Há aquelas que entendem tudo sobre fazer um bom churrasco. Algumas conhecem diferentes tipos de peixes e seu preparo culinário; outras sabem muito sobre política e os políticos; muitas, e muitas mesmo, falam sobre futebol, seus técnicos e jogadores; algumas discorrem com profundidade sobre os cortes de carne bovina; outras falam sobre espécies de flores e seus cuidados; e muitas sabem elaborar diferentes pratos. Algumas curiosas sabem muito sobre as famílias tradicionais das cidades onde moram, e suas evoluções patrimoniais; outras sabem tudo sobre a localização geográfica do comércio onde residem; outras tantas sabem as distâncias entre as cidades e as "melhores" rotas para chegar a elas. E vai embora, a coisa não para. Há muito conhecimento para ser sabido, muito mais do que gente para sabê-lo, mas as pessoas parecem não saber que sabem muito pouco (a repetição deste importante verbo foi intencional).

As pessoas que se assustam com a "ignorância" alheia não percebem que elas mesmas são ignorantes em dezenas, centenas, milhares ou milhões de informações do conhecimento humano.

Então, não se assuste com a "ignorância" alheia, pois você é também mais um dos "ignorantes" que revestem esse planeta.

sábado, 30 de setembro de 2017

{crônica//proposta} By Arnaldo Leodegário

Dia 31 de Março, Dia Internacional {da Consciência} da Mulher
{crônica//proposta} 
Porque o dia {da Consciência}? Espera-se 364 dias do ano, para se dizer que há um dia InteR-Nacional ... só da mulher. 
Comemora-se o Dia Internacional da Mulher, com muitas alusões, festejos, falácias,... mas, apesar de tudo isso, todas essas conquistas e avanços... Porém, ao depararmos com as noticias diárias, estatísticas oficiais, descobre-se com decepção, que Não há o que a Mulher comemorar no dia 08 de Março. ... Então, cria-se o termo FEMINICIDIO... Todo dia, é dia de ser Esposa. 
Todos os dias, ela cuida da casa. Todos os dias, ela não tem folga. Todo dia, é dia de ser Mulher, Mãe. Todos os dias, ela não tem tempo prá si Todos os dias, ela trabalha fora. Todos os dias, Além de trabalhar fora, ela trabalha em casa. Todos os dias, Por uma jornada dupla, ela ganha menos. Todos os dias, Além de menstruada, ela encara a vida. Todos os dias, A última palavra é a dela Todos os dias, ela se faz de forte. Todos os dias, ela é resignada. Todos os dias, ela é Submissa. Todos os dias, o homem assiste o futebol, e ela lava a louça. Todos os dias, ela lava e passa roupa. Todos os dias, ela faz a comida e serve à mesa. Todos os dias, ela leva os filhos à escola. Todos os dias, ela leva o filho doente ao médico. Todos os dias, ela vai ao supermercado, açougue e padaria. Todos os dias, ela cuida da economia do Lar. A Mulher tem menos o que comemorar, e mais o que se conscientizar. Todos os dias, o homem sai a beber com os amigos, e ela fica em casa com os filhos. Todos os dias, ela é assediada, moral, e ou sexualmente. Todos os dias, em algum lugar, uma mulher é espancada. Todos os dias, em (todos os lugares) milhares de Mulheres são espancadas. Todos os dias, elas sofrem violação dos seus direitos. Todos os dias, não reconhecem seu valor. Todos os dias, negam a elas seus Direitos. Todos os dias, elas são maltratadas pelos homens. Todos os dias, elas sofrem violência. Todos os dias, elas são violentadas. Todos os dias, a Mulher não tem como se defender. Todos os dias, a Mulher enfrenta adversidades. Todos os dias, ela não tem vez, Não tem voz. Todos os dias, a Mulher sofre calada Todos os dias, Mulheres são oprimidas. Todos os dias, a cada minuto, Uma Mulher é assassinada. Todos os dias, milhares de Mulheres são vitimas das guerras. Todos os dias, Mulheres são discriminadas. Todos os dias, as Mulheres são vítimas de Maus tratos. Todos os dias, a Mulher... é SERVA da sociedade... Apenas... A Mulher se conscientiza então, de quê, dia 08 de março, não é bem o dia dela. Porque, mesmo com todas as homenagens e comemorações desse dia,... passado isso, para elas, tudo continua como era antes...Uma clara evidência disso é que foi criado o termo FEMINICIDIO. Logo agora, que tanto se comemora e se alude ao Dia Internacional da Mulher. A Mulher tem mais a se conscientizar, e menos a comemorar. 

Arnaldo Leodegário Pereira
Texto protegido pela lei dos Direitos Autorais nº 9.610/1998. Campo Grande MS. 22 de Setembro de 2017. .... 







quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Não sabe de amor



Não sabe de amor, exceto se você já...
Ficou acordado a noite toda esperando um filho voltar da festa...
Adiou ou desistiu de um projeto pessoal para dar atenção aos seus pais, tios ou irmãos...
Sentiu a angústia intrínseca ao ouvir as histórias de um idoso, e ainda assim aprendeu com elas...
Chorou com o abandono e a tristeza de uma criança que nem conhecia e deixou de almoçar para alimentá-la...
Convenceu a família a deixar um cão de rua na sua casa por uns tempos... Tempo infinito.
Foi a um show sem a menor vontade apenas para ser parceiro...
Admitiu, meio encabulado, que se emocionou com o carinho de um amigo num dia em que estava de mal com o mundo...
Duvidou de Deus, mas nunca deixou de acreditar Nele e Temê-lo...
Apanhou uma rosa e acabou não entregando a quem pretendia...
Escreveu e reescreveu mais de dez vezes um poema que nunca mostrou...
Ouviu músicas românticas para provar e provocar lembranças...
Sentiu saudade...
Sentiu saudades...
E sentiu mais saudades ainda de tudo o que viveu, pois viver é construir a própria história, orgulhar-se dela e relembrar sorrindo quando as recordações povoam a mente.
Não sabe de amor...
Exceto se destinou algum tempo para vivê-lo.

Moacir Luís Araldi

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Livre ou humano

Seria simples
se não fosse humano...
Não tem jeito
a rima que domina é engano
seria simples
se não fosse fácil
mas acontece
com Fulano, Beltrano e Cicrano
humanos
arrancados do nobre anonimato
sim, nomes são o grande engano
nome de gente
de cor
de raça
de classe
de credo...
Cruz credo!
Nome de país
de língua
de clube
de lado
de salgadinho frito recheado
de embutido redondo
de odor marcado
e sobrenomes, então!
odeio nomes
etiquetas
carimbos...
de gráfica, só gosto de livros
quero ser livre
então nada devo querer
nem mesmo ser livre
pois “livre” é codinome
e esconde
a essência do significado
disso
que nunca serei

sábado, 19 de agosto de 2017

Catando verdades entre os escombros (excerto)

(...)
Durante aquele momento chamado vida, E. Godoi achava que não pertencia ao mundo. Existia ele, E. Godoi, e o mundo considerado como tudo e todos fora dele. O mundo era aquilo que ele via girando ao seu redor. Nele estava tudo o que E. Godoi desejava para ser feliz. Como não havia qualquer identidade entre E. Godoi e o mundo, a felicidade nunca estaria nele.
Por que o mundo era tão carrasco? Por que a vida fez de E. Godoi sua grande vítima? Ele se acostumou e não sabia viver de outra forma, senão triste e esperando do mundo a sua felicidade.
Nem mesmo havia uma ponte entre o mundo e o pobre E. Godoi, e a culpa era do mundo, claro, pois não seria E. Godoi o responsável por construir essa ponte. Afinal, por que E. Godoi implodiria toda uma estrutura mental, construída ao longo de uma vida, para usar escombros, construindo uma ponte entre ele e o mundo. Seu reconhecido sofrimento era sua aprazível zona de conforto.

(...)