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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

João de Alguém... ( humor) bY ARNALDO LEODEGÁRIO PEREIRA




João de Alguém... ( humor) 
Meu nome é: João de Bragança Sousa Silveira Nogueira Albuquerque Lins Mendonça Cabral Medeiros de Orleans Silva Bonifacio Araquém. Como você pode ver eu sou um João de alguém! Sou quase rico, e muito bonito também. Sou filho de pai importante, sobrinho e neto de gente importante também. Meu pai é fazendeiro, minha mãe é industrial. Sou Filho de mãe abastada, bem educada e quase nobre também. Eu só administro e gasto o dinheiro, torro, controlo, mas cuido também. Sou bom de cabeça, sei beber e dançar também!... Estudei em bons colégios, junto a pessoas importantes, cursei faculdade. Tenho vários carros, os mais caros e bonitos também. Tenho muitas namoradas abastadas também. Falo diversas línguas, sou bom de língua também. Sou alto, forte, carismático, bem sucedido. Na sociedade ocupo lugar de destaque igual Alguém! Sou fino, honesto, educado, bom sujeito também. Dizem que sou tudo de bom! Eu acredito que só!... Sou um cara romântico, vaidoso também... Conheço o mundo inteiro... Meu bairro também. Sei até onde fica o Paraguay!!! E os States até... Andei de avião! 1ª Classe é claro!... Estou na roda da societè, Sou da elite Amém... Vim ao mundo a passeio... Rei, príncipe ou Duque? Nem quero ser!!! Minha agenda anda cheia... Compromissos, boates, jantares, viagens, isso é só prá começar... Sou o melhor nos esportes: Futebol, basquete, vôlei, skate, pára-quedas, para-pente, também... Patino no gelo, melhor que ninguém... Sou bom na esgrima, luta livre, Karatê, Box, sou faixa preta em peteca também... Tennis, capoeira e Kung-fú até... Sou bom de briga também... Sou completo e perfeito, sou um cara sem defeito o mundo sem eu é ninguém! Sou das senhoras o colírio. Deixo as mocinhas em delírio, isso prá elas faz bem!... Onde eu chego todos me saúdam, me abraçam e de pé me aplaudem. Viva o João de Alguém!!! João com dinheiro, João com saúde, João companheiro, João boa gente, com sorte! João sem medo da morte, inteligente. João pé quente João prá cima, e prá frente... João assim não pode ser menos que João de alguém!... 
Arnaldo Leodegário Pereira





segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O Dr K-NETA...





O Dr K-NETA... 
Nos anos 70, eu morava na capital paulista, já contava aí com meus 23 anos de idade. Eu era um jovem muito tímido, gostava de uma moça que viera da mesma cidade que eu, lá no interior do Paraná. Na rua Direita, (no centro velho de S Paulo). Nessa época existia o Dr K-NETA. Dr K-neta, era um homem de uns 40 anos, mais ou menos. (Ele) seu figurino compunha-se de: uma peruca (vermelha), óculos escuros, calça de veludo marrom bem apertada, boca de sino, e camisa florada, estilo tremendão, e sapato de salto carrapeta. Dr K-neta ficava bem no meio da rua, sentado em um banquinho, uma mesinha redonda, oferecendo ali seus serviços de “cupido”. Ele prometia escrever “encantadoras” cartas de amor para os amantes apaixonados, porém tímidos. Eu, em uma das minhas idas ao centro da cidade, passando pela rua direita, vi ali a possibilidade de me declarar amor à minha eleita (Angelita). O Dr K-neta cobrava à época Cr$ 20 cruzeiros por cada carta escrita, mais a garantia de 100% de eficácia. (Ele) o Dr Ka-neta estava sempre cercado de pessoas de ambos os sexos, querendo contratar seus serviços. Solicitei, paguei pelo serviço e o obtive. Dr K-neta me entregou a carta e fez a promessa de total êxito. Só que me pediu para eu não duvidar do resultado, recomendou que eu, nem precisava ler a mesma, e confiar no sucesso. Ele oferecia o testemunho de muitos encontros felizes de casais unidos graças à mágica de sua famosa fórmula infalível de convencer amores difíceis. Ele possuía mesmo o dom de envolver aquelas pessoas que o procuravam, em uma atmosfera de magia, encantamento e hipnotismo. As pessoas acreditavam mesmo no poder que ele demonstrava em envolver quem por ali passava, com a promessa e a certeza de conquistar um amor impossível. Pedido feito, pedido atendido! Entregou-me em mãos a “carta mágica”, que iria fazer bater mais forte o coração da minha pretendida. Como sempre fui muito curioso, não resisti e abri o envelope, que era desenhado cuidadosamente com a figura de um cupido, flechando um coração. Abri o envelope, tomei nas mãos a carta e comecei ler. Tive uma grande decepção ao ver quanto era mal escrita, pobre de conteúdo, e sem graça alguma. E de encantador não havia nada! Fiquei muito decepcionado e senti-me enganado. Cheguei à conclusão que, Mil vezes melhor que aquela (pobre) carta sem um mínimo de inspiração e vida, eu conseguiria escrever. Ou melhor!... eu decidi então ir me declarar pessoalmente, e falar com a minha pretendida. Decepcionado, rasguei a tal carta, fiz um fogo e a queimei. Decidi procurar a bela jovem Angelita. Falei-lhe do meu amor. Ela mostrou-se surpresa, mas me confessou que já me amava à distância. Relatou para mim que certo dia, passando pelo centro da cidade, na rua Direita, ela pensou em como seria bom... Ela parou em frente ao Dr K-neta para ver ele trabalhando e vendendo seus serviços. Naquele momento ela pensou como seria bom se eu a pedisse em namoro. Chegou até imaginar eu a entregando uma carta daquelas escritas por ele. Ela me revelou que vendo como ele vendia seus serviços com a “certeza” do êxito, ficou a pensar em mim... Pedi-a em namoro, namoramos durante 02 anos. Foi maravilhoso! Nos gostamos muito..., mas um dia ela chegou para mim e me disse que entre nós estava tudo terminado. Sofri muito, mas... passou...Vida que segue!... Passados alguns anos, encontrei minha cara-metade, casei-me e fui morar em outro estado. Quanto ao Dr K-neta, ele trabalhou na rua Direita por vários anos,... sempre vendendo suas (cartas de”de amor”),.. ilusão!... mas depois não tive mais noticias dele...
 Texto registrado no Escritório de Direitos Autorais em 17/10/2016, e protegido pela lei nº 9.610/1998. Arnaldo Leodegário Pereira


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

"Ano Novinho" (crônica poética) By Son Dos Poemas* Sônia M.Gonçalves



"Ano Novinho" (crônica poética)

Estou feito um matuto, matutando...
Feito um vinho do Porto me aportando
Maturando como as mais deliciosas vinhas
Fermentando feitas azeitonas ao vinho
Com efeito, vejo as chuvas que deverão passar...
Ouvir o chilrear dos passarinhos nos ramos dos arvoredos
Guardar ás sete chaves segredos que ninguém quer saber
Fingir que sou eterna para mim...
É minha forma pra não me deixar morrer em vida
Assim vivo cada dia achando que este não tem fim...
Mas conto sempre pra mim que tudo é energia pura
E só dura o tempo que têm pra durar,
Seja choro, sejam risos...
Seja ouro, ou seja, o que for é preciso saber...
E ninguém sabe, é preciso mesmo aprender
Eu preciso é de Amor pra viver
O tudo mais para mim é só detalhe que acrescenta ou não, eis a questão...
O dinheiro é bom quem é tolo de dizer que não?
Mas não é e nunca foi minha prioridade
Prefiro ser tratada como uma cifra musical e poética
À ser comprada com um cifrão reluzente...
Equiparada com certos tipos monetários vigentes
Já vi tantos com tudo e com nada simultaneamente...
Sendo assim o que almejo e desejo é promissor
O que acho mais bonito em mim...
Minha capacidade de perdoar as pessoas e não cultivar rancor
Cultivo AMOR é muito melhor plantar Flor
Que semear ESPINHOS no coração
Há tantos eufemismos pra atenuar o que não tem explicação
A Dor física é insuportável, mas superável assim como d'Alma...
Após toda tempestade deita aquela poesia e tudo é inspiração e há calmaria brinda...
Adoro meu Sorriso bobo e o teu mais ainda...
A coisa mais linda não é ser perfeita e sim saber que não é...
A pessoa mais Bonita é aquela que sabe que não é miss de coisa nenhuma...
Mas quando se olha no Espelho consegue ver uma e sorrir para Sí mesma e acha graça da sua pretensão
A coisa mais linda que vejo em mim...
É quando levanto e pratico Boa ação!
Sorrio quando faço do Beijo uma rima e me rio...
Do mirante miro o horizonte e do vento o mais delicioso portento...
Quando me lembro de coisas vãs insignificantes
É que me sinto mais importante
Sei que tenho comigo, que pessoas não são coisas...
São pessoas quando agradáveis gratificantes...
Acho que amor incondicional é só uma palavra que inventaram pra se dizerem perfeitos feitos Deus!
Porque no meu entender nu e cru, de fato só Deus e as mães (que nem são todas), conseguem Amar assim no sentido Real do latim, o resto de nós é só pretensão, quem Ama de coração todos os pobres e nobres, sem preconceitos ou conceitos pré-definidos?
Quem de verdade já reparô que além do pé de umbigo, existe um jardim em flor?
Quem de coração não mataria um agressor ou um bandido?
Quem não espera se quer um beijo do ser amado,
Uma palavrinha de um certo amigo?
Quem não espera que seu amor seja retribuído ainda que de qualquer jeito?
Não!...Eu não Amo Incondicional, sou tão imperfeita pra isso...
Amo dentro do que posso do Amor que não tem limites,
Que cabe no meu coração e não é pouco não, mas está longe da perfeição da incondicionalidade, como a linda irmã Dulce, igual São Francisco de Assis ou como Jesus propagou e assim se diz... Bem que eu queria bem que eu quero e querer eu sempre quis...
Mas eu sou tão Normal que chego a ser outra
Mulher amante varrida e louca!
Gosto mesmo é de beijar a boca de quem eu amo e beijar a alma dos imperfeitos como eu que amam a vida...
Feliz Ano Lindo!... Sejamos Novos, porque os Anos, os Dias e Meses sempre os são. Nós é que ficamos marcando passos em cadafalsos e cavando nossos abismos, caminhando vestidos de estereótipos e tantos desnecessários sofismas...

Sob todos os prismas...

Feliz Ano No Vinho curtindo ainda... =D 



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

História de valentão (conto) By Arnaldo L. Pereira









História de valentão (conto) 

O ano era 1965. O lugar, um vilarejo no Norte do Paraná. Naquele lugar pacato a vida seguia seu curso normal. Todos trabalhavam na roça durante a semana, nos fins de semana sempre em alguma casa da vizinhança havia um baile ou arrasta-pé. Tinha um sanfoneiro, um violeiro e seus acompanhantes. O baile começavas ás 19:00 hs e durava até o sol raiar. Era assim que a vida ia se passando... Mas como nem sempre há paz o tempo todo, há de aparecer algo para quebrar a rotina. Na região havia alguns valentões que gostavam de espalhar o terror por onde passavam... Um desses era o tal de Neco-Pimenta. Um sujeito aparentando ter uns 34 anos mais ou menos, mal encarado, desordeiro e gostava de se apresentar de esporas, chapéu tipo cow boy, tinha mania de beber cachaça e obrigar as pessoas beberem sob ameaça com revolver e chicote. Quando chegava em um baile, começava botar banca. Arrastar as moças para dançar, à força. Seu jeito de dançar então!... Não agradava aos pais e familiares das moças. Era um tal de: agarra, puxa, aperta... Tenta beijar na marra, a moçinha acanhada e muito tímida não estava habituada a tais ousadias e intimidades,... Porém, se recusasse havia confusão. Os pais de famílias que tinham suas donzelas que pusessem as barbas de molho! Já estavam todos fartos daquela situação! Havia uns quantos jurando o tal de morte! Essa era sua rotina, o tal pimenta era mesmo ardido! Bastava ele chegar e o baile ia minguando. Era só pai que ia pegando suas filhas e arrastando pelo braço para irem embora!... Assim não podia continuar por mais tempo! ... E Neco-Pimenta voltava para seu reduto todo cheio de si, se divertindo, contava aos amigos com galhofa suas façanhas e glórias... Mas, estava fechando-se o cerco. Numa dessas noites de baile todos aguardavam mais um ataque do dito-cujo malfeitor. Então ele arrastou uma moça para dançar, ela não gostando de seus abusos, cuspiu-lhe na cara, ele a empurrou com forças, a moça caiu ao solo. Nisso bateu a cabeça em uma coluna e veio a falecer. Os homens que estavam presentes e já esperando pela confusão, partiram para ele, então Neco sacou uma arma e empunhando-a ordenou que todos se afastassem. Assim foi-se embora e se refugiou no mato porque não teve tempo para montar seu cavalo. No matagal, em meio à escuridão da noite ele foi picado por uma cobra coral, o veneno se alastrou em seu sangue. Sem poder ser socorrido veio a falecer... Espalhou-se um boato pela região que foi o espírito da moça que veio fazer vingança... 
Este texto faz parte da antologia “PALAVRA É ARTE”, 25ª edição, 213. Pg 153, pela Cultura Editorial Salvador Bahia. Arnaldo L. Pereira

Quantos Natais _by Sônia M.Gonçalves(Son Dos Poemas




Quantos Natais? (crônica)

Quantos natais têm você?
Quanto já festejou quanto só eu festejei,
Quantos tantos que choramos quanto só eu chorei?
Quem já sonhou papai Noel um dia
Quem sempre achou é só uma grande fantasia?
Uma rubra folia de final de ano que nem cabe mais no nosso clima e planos
Afinal as roupas dele nem condizem com a nossa realidade veranista, é só nosso brinquedo de faz de conta...
Realidade? Mas... Papai Noel não faz parte da nossa infância do nosso mundo de fantasia?
Fantasia pode sentir frio ou calor?
Eu sinto tanto, mas também sinto tanto Amor...
"O mundo está tão diferente”...
"Se lembra quando a gente ousou um dia acreditar que tudo era pra sempre"? (Renato Russo-Legião Urbana)
Serei a gente de sempre ou Sô gente também diferente?
O mundo está mudado, moldado ao novo e espetacular...
Com ou sem consentimento do povo?
As religiões evoluíram, sim evoluíram!
O papa está mais pop do que nunca e a igreja abandonou as inquisições e muitas das convicções tolas que sustentavam
As religiões estão mais maleáveis então evoluíram...
E nós? E nosso congresso público é particular?
E nossos Natais que costumavam ser tão singular?
Hoje é só venda de brinquedos, tablets, celulares
O mundo mudou meu caro Watson!...Sherlock Holmes hoje não teria feito sucesso não tivesse ele um celular!
E Dom Quixote estaria levantando cedo tomando o metrô em direção aos Moinhos de Vento para encontrar a amada Dulcineia...
Hoje acordei com essa ideia na cabeça, mas tem sim explicação, o sonho de Íkaro realizou-se afinal
Pena ele não ter deixando descendentes, pelo menos não que eu saiba, pois ao que me consta ele virou uma centelha após ser engolido pela estrela solar, só não sei a hora a data e exato lugar ou faria seu mapa astral..
Bem o fato é que o sonho de Natal de Íkaro era voar, reparem só que absurdo: - Hoje podemos voar!!!...Ah, sem derreter asas feitas de cera...Hoje são feitas dos mais diversos materiais menos cera graças a Deus que deu a inteligência ao homem teleguiável
O máximo que pode acontecer é uma falha na turbina, uma pane no motor ou na tripulação, posso esquecer-me de verificar mil vezes o combustível, a torre de comando pode autorizar ou negar um pouso forçado e isso nada tem a ver com o Sol, pois  é tudo  permitido, pode até ser fatal, os motores turbinados é nosso gás letal, máscaras de oxigênio em pleno ar para compensar o medo, meu segredo, ligo eu meu descompressor afim de aliviar meu pavor e agonia de voar de verdade. Mas voltando ao assunto principal nosso “Natal”
Papai Noel também evoluiu, não lê mais cartinhas isso é bom ele pode abranger um mundão de gente, hoje ele recebe milhares de e-mails que ficam tudo como Spam, as chamadas de vozes caem na caixa postal e ficam por lá até o próximo Natal... Nada mais é ou será igual, afinal pra frente é que se anda. Esse lance de ficar na janela vendo a banda passar é porque a banda era muito estreita hoje a moda é banda larga e quanto mais larga for melhor será a recepção rsrsr
Então... O mundo mudou? Ou mudamos nós pelo mundo?
Ficamos mais exigentes com os pés mais na realidade, hoje o papi Noel para preencher a vaga a que se destina precisa antes de mais nada ser esbelto, papai Noel "gordinho “pode influenciar negativamente as crianças, ah nem precisa ser poliglota isso damos  um jeitinho, só jogar no tradutor do Google, nossa "Torre de Babel".
Veja bem nesse "Novo Mundo “Está tudo liberado, aborto, maconha, gordura hidrogenada, menos a localizada, a corrupção, caixa dois e muitas coisas que antes era ilegal agora é legalizada..
Tudo se lava a jato, dinheiro, automóvel e outras cossitas básicas...Prostituição deixou de ser crime, adultério também, mas fala sério só o homem podia trair ás mulheres cabiam a pena de morrer “legitima defesa da honra “E quantos desonrados  num momento de fúria assassinaram a “suposta “traidora , afinal se ela quebrou um prato ou estava de TPM (na época siricotico) vocês podem imaginar, não que justificasse o crime, mas podem imaginar quantas mulheres supostamente “adulteras “foram mortas por seus cônjuges?...Mas e a prostituição? Bem essa também não é crime e nem vergonha pelo jeito a contar como se portam as mulheres na sociedade e em todas as redes encontramos garotas com seu numero de telefone no Instagram  e grupos de Whatsapp , sempre defendi a prostituta, não seu caráter o ato de se vender porque cada uma tem lá seus motivos e quem sou eu para julgar quem quer que seja, mas porque ela existe sim, porque têm quem compre mais do que quem sem venda e isso causa um efeito dominó crescente. O fato é que antes eram presas e hoje não, hoje é proibido ser aliciada ou seja ter um dono o chamado "protetor cafetão”nesse caso a proteção só vale a camisinha e acredite é feminina coisas da evolução... Pode acreditar! Mulheres já foram proibidas de usarem calças compridas e até votar... Lembro-me da discussão polêmica da igreja sobre as pílulas anticoncepcionais,  Evoluímos muito! Hoje a discussão é matar (abortar) ou  não a vida que se forma no ventre, bem se tiver apenas 24 semanas então está perfeito, feito sem problemas...
Mas você será conivente saiba bancará, pois Hospitais públicos farão essa barbárie... (Não entro no mérito da questão pessoal de cada caso, estupros e outros)
Desculpe se pareço irônica ou insensível, mas algumas mudanças foram tantas e tão loucas,  que me dou esse direito o ser também...Então vamos falar sobre Amor...Ah o amor! Combina tanto com Natal, além disso também mudou muito o amor ficou mais exigente...Nada de príncipes e sapos encantados a onda agora é "um cara metro-sexual “não interpretem mal não é nada do que estão pensando, isso é só um cara urbano que se cuida, faz sobrancelhas, unhas usa maquiagem...Se preocupa com a aparência, tem até uma fisionomia bem andrógena, coisas da modernidade.
Por acaso você acha que papi Noel não se cuida? - Como explicar esses anos todos ele nunca mudar e continuar sempre bonitão com aquela barba branquinha e luminosa bem tratada, fazendo chapinha claro só pode ser...Não!... Sei o que está pensando vai dizer que ele é vegetariano posso afirmar que não ele consome muita proteína animal, afinal cadê as benditas renas?
Acho que com o preço do filé ele se viu obrigado a comer as renas (risos) hoje deve utilizar mais a holografia se faz presente mesmo é nas poesias. Enfim pergunto...
Em quantos Natais tu estivestes presente de corpo e alma?
Calma pode me responder daqui mais alguns Natais...
Feliz Natal!


Son Dos Poemas * Sônia M.Gonçalves

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Fidelidade canina (narrativa) ** By Arnaldo L. Pereira






10:29

Fidelidade canina (narrativa)

 Lá pelos idos de 1970, em uma cidadezinha do interior de S. Paulo, morávamos (eu) meu pai e minha família. Éramos em 9 pessoas, meu pai, minha mãe e 7 filhos. Vivíamos felizes aquela vidinha sem alteração ou novidades das grandes cidades. A nossa rotina era acordar às 4:30 hs da manhã, e seguir para o trabalho, que em algumas ocasiões ficava retirado 7 ou 8 kilometros. Para ir trabalhar nós tínhamos que atravessar a cidade ao meio. Ao por do sol fazíamos todo aquele caminho de volta, sempre a pé. Meu pai e meu irmão mais velho carregavam lenha para queimar, eu e minhas irmãs trazíamos as enxadas, a moringa d’água e cada uma, um saco com abóbora, ás vezes milho ou feijão, e assim levava-se o tempo. Lembro-me que íamos pelo caminho tagarelando, contando causos, rindo e todos brincando com o cachorro. Tínhamos um cachorro muito estimado. Seu nome era Camurim. Era um cachorro comum igual a todos os outros. Trabalhando na roça, na lavoura de café, às vezes ao retornar para casa deixávamos as enxadas e a moringa d’água escondidas embaixo de um pé de café e íamos embora. Ao chegar em casa sentíamos falta do cachorro, logo chegava-se à conclusão que o mesmo teria ficado vigiando as enxadas. Quando retornávamos no dia seguinte eram confirmadas as nossas suspeitas. Camurim lá estava, havia dormido junto às enxadas. Á noite o cachorro saia pelos arredores para procurar o que comer. Ao nos ver chegar de manhã cedo, vinha fazendo festa, abanando o rabo, saltando em nós e nos lambendo. Assim passava-se o tempo. Todos os dias, era dessa forma. Um belo dia, demos pela falta do cachorro. Estranhamos sua ausência, porém sabendo que sempre ele ficava cuidando das enxadas, nem nos incomodamos. No dia seguinte estava faltando alguém conosco. Ao chegar ao cafezal fomos surpreendidos por um trágico acontecimento! Camurim estava morto ao lado das enxadas! Não foi tão difícil chegar à conclusão sobre sua morte. Ele tinha sido envenenado. Saiu para procurar o que comer, e deram-lhe comida envenenada!... Morreu vigiando as enxadas....Ficamos muito tristes! Foi uma terrível perda! Parece que morreu alguém da família! Sentimos muita falta do companheiro de todos os momentos! Ficou para nós a saudade e o exemplo de fidelidade do cão amigo e guardião, que sem pedir nada em troca, vivia para ser fiel... Este texto faz parte da antologia: “PALAVRA É ARTE”, 25ª edição, 2013. Pg 91 CULTURA EDITORIAL Salvador - Bahia. Arnaldo L. Pereira

domingo, 13 de novembro de 2016

Quando ela e a casa conversam

Ela tinha um jeito nada ortodoxo de limpar a casa, não conseguia seguir o padrão normal, se é que fazer faxina tem algo de normal. Não tinha hora nem dia marcado, previamente agendado, retirado dos dias normais, marcado como o dia do sacrifício.
Ela simplesmente acordava e enquanto sem pressa, degustava seu café, acordando a mente ou a desintoxicando, olhava em volta.  Começava a revirar os papeis na sua mesa-escritorio-santuário , arquivando, rasgando, separando, encontrava uma anotação, revivia um momento, um sentimento, alguns ate guardados a tanto tempo que nem mais fazia parte do seu dia a dia, mas existia. Acha uma foto aqui outra ali, e quando vai guarda-las em seu devido lugar acaba encontrando outras, e mais lembranças, e sentimentos.
E quando para, senta no sofá, liga a tv ou não, ve alguma coisa, escuta uma musica, viaja no tempo de novo, olha a estante, os livros, remexe e vai limpando, mudando de lugar as coisas, os sentimentos.
Vai nesse ritmo, sem ritmo, pressa, pressão, começando e parando quando quer sem agredir a alma, sem punir o corpo, limpando a casa, acaba por fim limpando a alma.
Objetos que contam historias, tem memórias, que ficam as vezes ali quietos, dentro de gavetas ou caixas, escondidos da vida que segue, revivem.
Revista a sentença retornam ao passado ou não, se já cumpriram sua missão o plástico negro , enorme, o guarda e aguarda a retirada do tempo presente.
Ela nao escolhe onde vai começar, ou recomeçar, é tudo meio sem lógica, sem a praticidade que leva no dia a dia. Por nada deixa a sala, remexe na cozinha, vai no quarto, fica lá. E essa blusa? Usei ela naquele dia......parece que foi ontem, mas não foi. Vai pro banheiro, limpando o box relembra a ultima vez que chorou no banho e por que, porque mesmo?
Tudo é ritualizado, um fio vai puxando outro, aos pedaços em cada pedaço, mesmo os despedaçados acham seu lugar, ou os perde.
Quando é muito o que sente, para tudo, outro café, ou cerveja, ou vinho, pega o telefone liga pra alguém, ou alguém liga, pausa para a vida que segue.
Isso leva o tempo que o tempo der, é dia de limpeza geral, material, emocional, espiritual, não é só a casa que limpa, é tudo que gira em torno, dentro dela.
As vezes acaba e descansa e se sente renovada, outras vezes para e deixa pro dia seguinte, por que não?
Afinal ela não é o que a casa mostrar,  é o que a casa esconde.