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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Feminicídio – A Mulher Vítima de Gênero By Liége Va



No Brasil tem-se elevado o número de casos de Femicídio, que são ocorrências de assassinatos de mulheres. Essa é uma situação que infere diretamente na questão de gênero, isso porque a morte da mulher ocorre pelo simples fato dela ser uma mulher.

Essa circunstância está se agravando cada dia mais, no seio da nossa sociedade.

A perseguição ao sexo feminino tem sido uma constante e, como resultado, a morte de muitas de nós, por homens que se acham superiores, donos da vida e da morte das mulheres. Necessariamente, não precisa somente ser esposa, companheira, namoradora... Basta que alguma mulher lhe cause interesse – desejo ou raiva - para alimentar na sua mente a vontade de tê-la e abusar do seu corpo, antes de feri-la mortalmente, na maioria dos casos.

Esse é um crime classificado como hediondo no Brasil. Dados estatísticos oficiais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no período de 2001 a 2011, estima-se que ocorreram mais de 50 mil feminicídios, o que equivale a, aproximadamente, 5.000 mortes por ano. Acredita-se que cerca de 40% destes óbitos foram decorrentes de violência doméstica e familiar contra a mulher, cujos algozes eram os homens que diretamente se relacionavam com essas.

Portanto, pode-se afirmar que todos os dias cerca de 15 mulheres são mortas no país. Sendo as regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte as que apresentaram as taxas de feminicídios mais elevadas, respectivamente, 6,90, 6,86 e 6,42 óbitos por 100.000 mulheres, no período pesquisado.

Isso é alarmante! Trata-se de um verdadeiro e odioso estado de acossamento contra as mulheres, podendo ser classificado como uma misoginia, que é um exacerbado ódio ou repulsa a tudo que envolve o sexo feminino.

Nesse caso, toda sorte de abuso ou assédio sexual, estupro, agressões psicológicas e físicas, tortura, mutilação genital, espancamentos, privação de alimentos e maternidade, que possam causar a morte da mulher, estão inclusos na configuração de feminicídio.

No Estado de Pernambuco, especificamente, estamos vivenciando dias de muita tristeza, casos noticiados nas últimas semanas de feminicídio marcaram toda a nossa sociedade. Entre tantos, a morte cruel e brutal de uma fisioterapeuta de 28 anos, que teve seu apartamento invadido por um vizinho. Momento em que foi agredida e estuprada, no final teve a garganta cortada.

Uma crueldade em uma sociedade tão esclarecida, em pleno Século XXI. Parece absurdo! Porém, assistimos barbáries sangrentas se perpetuarem, como se estivéssemos no tempo das cavernas ou na Idade Média, onde a adoção de medidas de dominação tem fortes indícios para cerceamento da vida das mulheres.

As mulheres estão sendo caçadas e abatidas como animais, de forma selvagem e implacável...

Se não bastasse a discriminação contra tudo que existe... Salários inferiores pagos às mulheres, em relação aos salários pagos aos homens com mesmo cargo; obrigações maternais e paternais de criação e educação dos filhos; jornada tripla de trabalho e tantas outras responsabilidades fazem da mulher um ser em constante e dura batalha pela vida e, por fim, ser morta exclusivamente por ser uma mulher.

É desumano e sem propósitos. Mas é a nossa realidade!

Diante desses assustadores casos de violência contra a mulher, o artigo 121 do Decreto-Lei nº 2.848/40 – Código Penal – foi devidamente alterado, sendo sancionada a Lei 13.104/2015, que passou a ser conhecida como a Lei do Feminicídio. Nesse caso, essa nova lei reconhece esse tipo de crime como uma modalidade de homicídio qualificado, portanto com sanções penais que podem ir de doze à trinta anos, a depender dos agravantes do crime.

Na condição de agravante, a pena pode ainda ser aumenta em 1/3 (um terço) até a metade se for o crime cometido:

· Durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto;

· Contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com deficiência;

· Na presença de descendente ou ascendente da vítima;

Por fim, essa é uma forma de violência preocupante, pois muitas mulheres em plena juventude estão perdendo as suas vidas, abrindo uma lacuna irreparável na sociedade brasileira. Por conseguinte, ressaltamos a necessidade da adoção de medidas oriundas de políticas públicas eficazes, que se direcionem a uma maior aplicabilidade da Lei Maria da Penha, em vista do enfrentamento das questões dos Feminicídios, para maior proteção as mulheres e, consequentemente, substancial diminuição dos casos de desigualdades de gênero.

Denunciar casos de violência contra a mulher em todo Brasil, pelo número telefone 180.

Fonte: http://www.ipea.gov.br/portal/

Imagem Google – http://lutomensagem.blogspot.com.br/2014/11/violencia-contra-as-mulheres.html



Direitos reservados Liége Vaz

DO PODER DAS PALAVRAS*By Ana Sofia Carvalho



DO PODER DAS PALAVRAS

Às vezes as palavras assustam... Ou serão os gestos ou sentimentos que representam? Porque, em bom rigor, das palavras por si mesmas nenhuma consequência ocorre. Elas não têm - infelizmente, digo eu - o poder de se materializarem nos respectivos conceitos.

Mas há quem, como eu, faça frente às palavras e se agarre à esperança do seu possível - e desejado - poder alquímico. 
Vou dar um exemplo: quando estou em cima da hora para um compromisso de trabalho e sei que o estacionamento é problemático, pronuncio repetidamente, momentos antes de chegar, uma prece para que " eu tenha um lugarzinho". E, acreditem ou não, a verdade é que a esmagadora maioria das vezes, o meu truque resulta. Como não acredito muito na sorte, penso que tal se deve ao poder automaterializador das palavras. E porque não? Palavras, sons, corpos, ar, água, luz e fogo, e nós mesmos, não é tudo composto de átomos e moléculas, e estes de energia em constante movimento? E a nossa mente, cujas potencialidades conhecemos apenas numa ínfima parte, não é ela dotada de incríveis e múltiplas capacidades? Porque não também a de fazer movimentar energia, segundo a sua vontade, algo semelhante à designada telecinésia, mas através da pronúncia das palavras ?

Enfim... Seja como for, se quisermos muito uma coisa, mal não fará, seguramente, dizê-la em voz alta repetidas vezes, tantas quantas queiramos, dependendo da nossa real vontade de o concretizarmos. 
O único problema que antevejo é a forte possibilidade de sermos apelidados de loucos. Mas quem se importa de ser louco num mundo como este em que vivemos, em que actos absolutamente tresloucados como um ataque com armas químicas a uma clínica é tratado com relativa normalidade ( política)?!? 
Antes louca que normal segundo estes padrões, e valha o que valer, em matéria de estacionamento, não me tenho saído mal. :)

ASC
( direitos reservados)

domingo, 9 de abril de 2017

A ÚNICA GANGORRA DE ZOÍ* By Sandra Boveto

(O Menino e o Povoado, Candido Portinari, 1958)



A ÚNICA GANGORRA DE ZOÍ

No parque de diversões, diversidades e adversidades da vida, Zoí recebeu uma gangorra.
De um lado, a vida é bela, tanto quanto pode ser. Desse lado, há coisas duramente conquistadas e outras gentilmente concedidas. Há pessoas especiais, amadas e capazes de amar. Há habilidades aguardando a possibilidade e a alegria da realização. Há um infinito anseio por um conhecimento infinito. Há também olhos que enxergam a beleza em cada coisa e em cada um, sem romantismo, apenas com o realismo de olhar além das imperfeições naturais, sem as quais o belo nem mesmo existiria. Há lucidez e compreensão sobre muito e sobre muitos. Dessa compreensão, decorre uma tolerância firme não apenas ao mundo de fora, mas também ao mundo dentro de Zoí.
Mas há o outro lado da gangorra, pois a vida é mesmo assim.
Do outro lado, está o peso da dor e da exaustão. Estão a ansiedade, a vulnerabilidade e o torpor delas resultantes. Há indisposição sob as mais variadas expressões. Diariamente! Constantemente! Indefinidamente! Há pressões, opressões e impressões coladas, grudadas, impregnadas sobre o outro lado da indeclinável gangorra de Zoí.
A criança elegeu o primeiro lado para brincar, e se esforça para lá permanecer. Apesar de brincar sozinha em uma gangorra, o outro lado pesa ilogicamente. Seus poucos elementos desumanos são dotados de forças sobre-humanas, que compelem a extremidade indesejada da gangorra para baixo, de forma traiçoeira, pérfida. Sem escolha, Zoí desliza sobre a gangorra. Desesperadamente, tenta agarrar-se ao lado que escolheu. A gangorra, porém, torna-se íngreme demais e seu corpo escorrega. Ela é levada por uma gravidade particularmente humana para o outro lado. Os elementos desse outro lado são cruéis e estão lá, à espreita, para atacar, torturar, mortificar... mas apenas isso. Eles duramente maltratam Zoí, mas não a querem fora da gangorra.
Ela não se conforma. Não se entrega. O lado bom da gangorra faz com que ela se apegue e queira permanecer no seu brinquedo, ainda que tenha que recorrer a forças externas, dessas que diminuem o discernimento e reduzem, aos poucos, o tempo sobre sua tão especial gangorra. Zoí opta por recorrer a elas, pois, com frequência, resultam na única maneira de poder subir, rastejar para o outro lado. A frágil criança alcança o ponto médio do precioso brinquedo, às vezes. Mas Zoí precisa ir além, acreditando que se fosse possível colocar-se completamente daquele lado, onde está a melhor parte de si, seria capaz de catapultar, para fora da gangorra, os elementos nocivos que a ela se opõem.
Os pequenos demônios, no entanto, prendem-na pelos pés, enquanto Zoí tenta arrastar-se gangorra acima, apoiando-se numa inexplicável gana por atingir o lado eleito. Ficam ali, agarrados aos seus tornozelos, detendo e puxando Zoí. Muitas vezes ela não resiste e cai, mas permanece consciente, olhando a outra ponta da gangorra, ansiando por ela. Nesse momento, usa toda a energia que lhe resta, e também aquela que surge apenas de olhar para o lado bom, para não se lançar para fora da sua única gangorra.
Essa é a gangorra de Zoí... é a sua única gangorra... e ela não se ocupa pensando se há gangorras melhores ou piores. Mas, em alguns momentos, pode olhar em volta e ver outras crianças brincando, brigando, lutando pela sobrevivência em seus próprios brinquedos. Percebe que nem todas sobrevivem – algumas crianças caem e outras se jogam. Vê também que muitas não brincam sozinhas. Zoí é apenas mais uma criança em um imenso parque de diversidades, adversidades e, também, diversões da vida.
Com o passar das estações, a gangorra de Zoí revela típicos sinais de ferrugem e desgaste. Esteve sempre exposta às intempéries desse parque solto no espaço, ao longo do tempo. Sua estrutura demanda reparos, mas ainda não há ferramentas ou técnicos capacitados a reparar defeitos tão peculiares.
Sozinha sobre a gangorra, Zoí busca o equilíbrio. Lembra-se, no entanto, de que o propósito de uma gangorra não é o equilíbrio.

No futuro, a gangorra de Zoí vai parar sobre um dos lados. Qual será?

- Sandra Boveto -

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Recomeçar É Viver Outra Vez... By Liége Vaz






Carolina estava sozinha, sentada em frente ao mar. Pensava nos longos dias que enfrentou a morte de sua mãe. Um vazio muito grande ainda preenchia a sua vida. Quase dilacerou a sua alma, fazendo enorme estrago em sua aparência, que agora parecia muito magra e abatida.

Acostumara-se com a convivência de anos e, apesar de serem mãe e filha, eram amigas inseparáveis. Como era necessária a presença de sua mãe? Tudo nela lhe fazia bem, a voz doce e sempre pausada, os cabelos brancos caídos na testa e o agradável cheiro de alfazema, que não dispensava.

Era uma mulher altiva e carinhosa... Amava fazer caridade. Se pudesse doava as próprias roupas. Sem contar o terço em suas mãos, sempre com orações para família e amigos. Mesmo nos últimos dias, abatida pela idade, gostava de fazer alguma comida gostosa, que somente ela detinha a técnica. Como não lembrar o bolo de macaxeira saboreado com uma xícara de chá de capim santo, servido na varanda da casa? As caminhadas ao amanhecer no calçadão da praia, para ver o Sol nascer? Dias inesquecíveis e memoráveis...

Então, ali sentada, olhando para o oceano, os pensamentos percorreram o livro da sua vida... Os dias que precisou do colo, por uma bobagem qualquer ou, ainda, os aniversários que eram comemorados com muita alegria. Sua doce mãe era caprichosa... Todos os preparativos e guloseimas da festa eram por ela feitos manualmente e carinhosamente. A adolescência foi mesclada por rebeldia e castigos, que pacientemente foram conduzidos com certa dureza, mas cheios de afetos, que somente as mães sabem como proceder.

O namoro e casamento foram difíceis, pois sua mãe nunca aceitara aquele que viria a ser seu genro, até que houve a separação. Sempre soube que sua mãe tivera razão... O pai dos seus filhos não foi uma boa escolha. Fazer o quê? Aconteceu e foi uma experiência válida, pois os filhos ficaram e tornaram-se pessoas maravilhosas.

Por mais de 20 anos, após a separação do esposo, esses foram vividos perto da sua mãe. Ela era o seu porto seguro. A sua confidente... A maior companheira em vida. Agora, estar sozinha em uma casa cheia de recordações, era por demais cruel.

Pensar que, os filhos casaram, seu casamento foi desfeito e sua mãe a deixara... Isso a fazia explodir em lágrimas. Não conseguia mais comer e dormir direito...Estava à beira de uma depressão.

A sensação de fracasso era quase terminal...

Naquele momento recordar era o que lhe restava... Precisava buscar forças para viver com todas as ausências que lhes foram impostas pela vida. Tinha consciência que nunca mais nada seria igual, e o que ficou para trás estava marcado em seu coração. Sempre as lembranças estariam rodeando sua mente e, algumas vezes, haveria de chorar.

Mas algo dentro dela dizia: - Não se renda ao fracasso. É necessário despir-se da amargura, para dar um novo salto em direção a construção de uma nova história de vida... Nada seria como fora antes. Conscientemente entendia que a realidade agora era essa... Assim, melhor redirecionar sua trajetória ou esperar envelhecer amarga e solitária.

Nesse instante, Carolina levantou, olhou para o mar que estava sereno e enxugou as lágrimas, expressando um sorriso para o nada... Foi nesse momento que teve certeza que era preciso tomar uma atitude... Sabia que tinha suas recordações presentes, porém, em algum lugar, haveria de encontrar o fio que seria a ponta inicial de uma nova caminhada, para recomeçar a sua vida.

Era preciso tentar e seguir adiante...

Imagem do Google - https://dosurf.com.br/olhando-para-o-mar/

Direitos Reservado Liége Vaz.
Líquido Seco

Líquido, desfaz-se e busca a solidez,
na solidão eterna de um momento líquido.
- Barman ou Bauman?
- Ambos, por favor!

Há pontas, há ondulações,
há mágicos atritos que arranham e acariciam.
Líquido seco que o caos acalma,
que a calma tinge de guerra,
com a cor do sangue, sem a dor da alma.

A língua morre aos poucos,
entrega-se à morte do mundo que não vive.
Língua morta de uma mente viva
que nunca morre, que nunca dorme,
que sangra na taça.


(Sandra Boveto)


domingo, 2 de abril de 2017

No limiar da Loucura By Liége Vaz





Os nossos pensamentos interligam-se por ondas cerebrais invisíveis que, como teias, se entrelaçam por espaços longínquos em nossa memória, podendo emergir, de tempos em tempos, para o mundo real com a mesma força do fato à época vivenciado.

Muitas vezes tão nebulosos que mal cabem no espaço temporal da verdade presente. Porém, são resgatados de um breve instante de ruptura incompreensível dos sentidos para o consciente, dentro de uma realidade não mais tempestiva.

Trata-se de lembranças daquilo que experimentamos no passado, e que profundamente nos marcou...

O percurso desse emaranhado de caminhos cerebrais, por sobre brechas e frestas de espaços onde estão armazenados os compartimentos neuronais, muitas vezes são subtraídos de forças do estado consciente, para controlar determinados sentimentos e atitudes que venham a emergir, quando o inconsciente atua livremente no resgate de certas recordações.

Isso porque todos esses turbilhões existenciais estão aprisionados na memória de longa duração e, vez por outra, levemente, ou por um determinado gatilho que o aciona, respiram à consciência, com propulsões sem sentido límpido. Quando isso ocorre pode produzir os estados emocionais mais diversos, como: alegria, euforia, choro, desgosto, raiva, tristeza, saudade... E isso tudo faz parte do passado, mas o sentimento se torna robustecido no presente.

Loucura! Talvez não.

Todos seres humanos constroem e reconstroem as duas vidas a partir de constantes fugas do seu interior, para o mundo exterior... ou vice versa. Burlando qualquer conceito de perfeição do psicológico, sociológico ou filosófico. As barreiras da abstração do próprio ser existencial são rompidas, para um plano holístico que norteará o equilíbrio da visão que se tem da própria vida.

Nossa mente vive múltiplas e facetadas ondas que se entremeiam lineares, quando estamos no controle da lucidez, ou perpendiculares e oscilantes nos momentos dos devaneios. Como um invólucro dualista, entre o racional e o senil, que busca em nosso interior a própria verdade, para conviver com o caótico e eufórico mundo que nos encurrala, cheio de conflitos nos afugentando para cima ou para baixo, como parcela da nossa vã existência em determinados instantes da vida.

As nossas angústias e alegrias sobrevoam em órbitas congruentes, mas podem flutuar por ramificações cerebrais que se agregam em determinados momentos a outras situações, para transformar-se em novos sentimentos, conforme vamos reconstruindo em nosso interior premissas de satisfação.

Somos seres humanos complexos, distintos e ímpares... Não há um só igual. Nem mesmo aqueles que se intitulam almas gêmeas. Isso procede! Somos multíplices em tudo e as vezes em quase nada... Embora análogo no desenvolvimento das funções, somos distintos quanto a própria estrutura sensorial e perceptiva de mundo. Isso nos concede habilidades e competências únicas e próprias.

Portanto, muito bom que possamos pensar que recordar é viver... Porém, melhor ainda, é saber que todo o nosso cabedal de capital intelectual está retido em nossa mente e todo esse conhecimento armazenado, ao longo da nossa existência, sempre estará a nossa disposição, para que possamos aperfeiçoar nossas funcionalidades humanas, com reflexões mais profundas sobre o sentido da vida terrena. Também, que é possível melhorar o universo que nos rodeia, tão cheio de tribulações e fugaz.

Imagem do Google - http://istoe.com.br/142710_A+RECONSTRUCAO+DA+MEMORIA/


Direitos reservados Liége Vaz

"Louloúdi e o jardim *By Sandra Boveto






"Louloúdi e o jardim 
Desde a semente Louloúdi foi insignificante. A efêmera flor cresceu assim, criou folhas assim, formou botões assim e assim floresceu, puramente insignificante. O tempo em flor com viço não durou muito. Ela está madura, mostrando sinais de que realmente vai murchar, como todas as flores do vasto jardim. A plantinha frágil criou um pouco mais de robustez ao longo da vida, e não é qualquer brisa que a dobra ou mesmo desfolha. Porém, agora que entrou no estágio pós-florescimento, às vezes ainda se sente fraca diante das tempestades, e algumas pétalas caem quando o vento é muito forte. Louloúdi já sabe lidar melhor com o fato de ser apenas mais uma plantinha nesse imenso jardim, até porque percebeu que todas as plantas são assim. É certo que algumas nasceram e cresceram em locais mais férteis, mais amigáveis e foram protegidas, por plantas maiores, do excesso de sol ou chuva e do vento forte. Receberam luz o suficiente e foram melhor irrigadas. E, dentro do seu próprio universo, sentiram-se mais significativas. Outras não sobreviveram à fúria da natureza e não cresceram. Não chegaram a florescer ou, ainda, apodreceram cedo demais, sem ao menos dar-se conta de um conceito próprio de significância. Cada solitária flor desse jardim tem seu relativo valor, que supera a sua individual insignificância. A ausência de Louloúdi não destruiria o jardim. Contudo, a sua presença pode deixá-lo mais colorido e mais fértil."

 (Sandra Boveto)
Direitos reservados ao autor.