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terça-feira, 24 de novembro de 2015

OURO E RISO - METÁFORA DA FONTE ORIGINARIA - MANOEL FERREIRA NETO.

II – O ESPÍRITO DE DEUS

2.1 – REVELAÇÃO E RESSURREIÇÃO

O Espírito de Deus tinha agido sempre na história. Uma de suas especialidades tinha sido suscitar profetas. Mas, na época do nascimento de Jesus, é muito comum as pessoas pensarem que o Espírito tivesse se retirado e não agia mais. Espera-se, então, que Ele seja “derramado” abundantemente quando chegasse o Reino de Deus. Mas isso no futuro...
 Lucas mostra que o Espírito Santo está em ação. É hoje que ele está agindo. A velha esperança está se realizando. O Espírito Santo vai revolucionar a história da salvação. Jesus vai agir com a força deste Espírito (Lc 4,14). Os apóstolos e os demais seguidores de Jesus receberão a mesma força (At 2,2-13) e farão prodígios (At 2,43; 5,12ss, etc).
Como podemos admitir que um acontecimento que se produziu no passado seja significativo, decisivo, determinante, absoluto para o nosso presente? Esse acontecimento não é totalmente passado. Ele continua presente, através do agir atual de Deus na história. Mesmo o Jesus histórico não esgota a totalidade do Cristo-Espírito, ainda que haja uma identidade profunda entre ambos. O Jesus histórico vai-se desvelando ao longo de todos os tempos pela ação do Cristo-Espírito.
   Ora, esta dialética só é tomada a sério se a contradição for suportada até o fim e conduzida a uma terceira posição. Esta se encontra na representação: o representante não substitui o representado. Mas, por outro lado, o representante assume o papel do representado por algum tempo, mostrando-se assim a fraqueza deste último e a dependência dele em relação à “instância substituinte”, temporariamente limitada e que reveste necessariamente a forma de representação.
Justamente essa temporalidade significa em essência dependência e responsabilidade ao mesmo tempo. A representação não abandona simplesmente o representado no estado de minoridade e de dependência total, senão que reclama que este último procure superar progressivamente a representação e, finalmente, eliminá-la. Na explicação do conceito inicial da “representação”, revela-se essencial que esta categoria, de modo algum, permanece limitada às relações sociais do homem, senão que constitui uma expectativa geral do homem.
A revelação de Deus é entendida como manifestação, desvelamento de Deus e de seu projeto, de seu plano, de seu desígnio salvífico dentro da história num único processo. Todas as aparentes contradições vão dissolvendo-se, algumas na história mesma, outras quando este projeto de Deus aparecer em toda sua clareza.
No início e no fim de todo esse plano de salvação, está Deus-Pai. Dele tudo vem. A ele tudo tende. Ou como exprimia, de maneira simples e profunda, a célebre mãe-de-santo Menininha do Gantois numa de suas últimas entrevistas antes de morrer: “Acima de Deus, nada; abaixo de Deus, tudo”.
Na origem da Revelação está Deus-Pai. Ao Filho coube manifestá-la aos homens em sua plenitude (Ef 1, 3-14). E o Espírito Santo nos ensina, no mais profundo de nossa experiência, tudo aquilo que Deus-Pai manifestou em seu Filho (Jó 14,26). A revelação é profundamente trinitária. O Deus trino da revelação histórica, da economia salvífica é o mesmo Deus trino da vida interna imanente[1].
A Revelação coloca dentro da história um ponto de referência de que o homem não pode prescindir, se quiser chegar a compreender o mistério da sua existência; mas, por outro lado, esse conhecimento apela constantemente para o mistério de Deus que a mente não consegue abarcar, mas apenas receber e acolher na fé. Entre esses dois momentos, a razão possui o seu espaço peculiar que lhe permite investigar e compreender, sem ser limitada por nada que a sua finitude ante o mistério infinito de Deus.
O pensamento de um Deus-Valor, transferindo para o Absoluto os caracteres do Eros humano, deforma o sentido do mistério, cujo “Valor” transcende o juízo apreciativo do indivíduo e representa ao mesmo tempo, “a maior blasfêmia que se pode pensar contra o Ser” e “o golpe mais duro contra Deus”.
A Revelação introduz, portanto, na nossa história uma verdade universal e última que leva a mente do homem a nunca mais se deter; antes, impele-a a ampliar continuamente os espaços do próprio conhecimento até sentir que realizou tudo o que está ao seu alcance, sem nada descurar[2].
Se a pessoa descobre e oculta, ao mesmo tempo, a realidade humana, é porque permanece a máscara do Ser que se desvela velando-se. É, pois, a verdade do Ser que lhe fornece a sua profundidade, a sua consistência e o seu mistério.
Heidegger chega a escrever que sem o Legein e o seu logos não haveria doutrina da Trindade na Fé Cristã, nem interpretação teológica da segunda Pessoa da Divindade.
Por sua natureza, o homem procura a verdade. Essa busca não se destina apenas à conquista de verdades parciais, físicas ou científicas; não busca só o verdadeiro bem em cada uma das suas decisões. Mas a sua pesquisa aponta para uma verdade superior, que seja capaz de explicar a VIDA; trata-se, por conseguinte, de algo que não pode desembocar senão no absoluto.
É somente na requisição de Deus pela operacionalização prática da fé, que Deus se torna presente neste mundo, da mesma forma que, já, a representação de Cristo se tornou a “única experiência possível de Deus” (St, p. 191). Seu exemplo adquire aqui um significado que informa tudo: pelo fato de a sua identificação com Deus permanecer uma não-identidade, e por Ele se apresentar como o representante de Deus e, conseqüentemente, como dependente deste último, ele preserva “a independência de Deus e a paga com a sua própria dependência” (St, p. 194).
A Ressurreição de Cristo como ponto de partida da Cristologia tem o NT aparentemente a seu favor. Cronologicamente, tanto a fé como a Cristologia acontecem em sentido estrito depois e a partir dela. Contudo, a ressurreição de Cristo oferece uma grave dificuldade metodológica para convertê-la em ponto de partida, análoga à das fórmulas dogmáticas e neotestamentárias.
A ressurreição de Cristo não é para a fé, como o são as fórmulas, um puro conceito e sim um acontecimento real, mas, novamente, uma realidade-limite, que não se deixa conhecer hoje diretamente, mas somente de uma perspectiva concreta. A ressurreição de Cristo torna-se hoje objeto do saber, sendo ao mesmo tempo objeto de esperança e de práxis.
Essa esperança e essa práxis, porém, não são momentos de uma antropologia que já estivesse constituída com anterioridade a Jesus de Nazaré; são antes esperança e práxis que necessitam de Jesus e, mais concretamente, do seguimento de Jesus[3].
A ressurreição de Cristo foi necessária para que surgisse a fé em Cristo e é por isso a condição de possibilidade de toda cristologia, mas não é um ponto de partida útil, pois enquanto não se esclarecer quem foi ressuscitado (Jesus de Nazaré), por que foi ressuscitado (para que se manifeste a justiça de Deus contra um mundo de injustiça), como se chega ao ressuscitado (no seguimento de Jesus, em última instância), a ressurreição não conduz necessariamente ao verdadeiro Cristo.
Sendo Deus Trindade de Pessoas, comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, então, o princípio criador e sustentador de toda unidade nos grupos, na sociedade e nas Igrejas devem ser a comunhão entre todos os participantes.
Mister perguntar: “Qual é a missão da Igreja, considerando o princípio criador e sustentador de toda unidade nos grupos”. Assim nos responde Leonardo Boff:

A missão da Igreja conserva as dimensões da missão de seu fundador Jesus Cristo: evangeliza todas as dimensões da existência humana: aquela interior como a humanização de nossas paixões, aquelas pessoas como a superação do espírito de vingança, o perdão dos inimigos e a fraternidade, aquelas sociais como o compromisso com o oprimido pela fome, pela violação de seus direitos (cf. Mt 25,36-41) e na construção de relações justas entre todos[4].

Em termos filosóficos, pode-se dizer que há no ser humano uma estrutura ontológica a priori para o encontro que se concretiza e se mediatiza em cada encontro humano concreto, mas não se esgota nele. Sempre continua aberta a novo encontro.
A revelação histórica de Deus realiza, concretiza, atualiza tal estrutura, permitindo ao homem um encontro de graça com Deus em Jesus Cristo. O que Jesus quer mesmo? Qual é a sua missão? Lucas a resume como um conhecido texto do livro de Isaías:

O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos, e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça da parte do Senhor[5].

Em outras palavras, Jesus tem como objetivo ser e anunciar “boa notícia” (=Evangelho) aos pobres e oprimidos. Ele quer devolver à vida quem está excluído dela. Pretende libertar de todos os males. É o que faz daqui para frente. Jesus faz isso como consagrado pelo próprio Espírito de Deus.
Para cada um de nós, tal encontro com Deus em Jesus Cristo se dá pela ação do Espírito Santo na comunidade humana e eclesial. A própria comunidade humana tem uma ordenação ontológica à Igreja, de tal modo que ela é um “votum ecclesiae”. E a comunidade eclesial é um acontecer da comunidade humana na sua visibilidade salvífica.

O amor de que fala o evangelho não é outra coisa senão o engajamento radical de um por um outro insubstituível: identificação provisória e que se torna ela mesma dependente[6].

O calor afetivo do Amor de Deus, do Pai, do Filho, do Espírito Santo, realiza a consciência da sa-tisfação, do contentamento, da plenitude encontrada.
Importa sublinhar que as verdades procuradas nessa relação interpessoal não são primariamente de ordem empírica ou de ordem filosófica. O que se busca é, sobretudo, a verdade da própria pessoa: aquilo que ela é e o que manifesta do seu próprio íntimo. De fato, a perfeição do homem não se reduz apenas à aquisição do conhecimento abstrato da verdade, mas consiste também numa relação viva de doação e fidelidade ao outro.
O encontro revela também a transcendência da pessoa – eu – e da pessoa – tu. Da pessoa – eu -, ao perceber ela a impossibilidade de desvendar totalmente o próprio mistério. Toda comunicação de si soa imperfeita e incompleta. É-se sempre maior que aquilo que se comunica.
Como devemos compreender o mistério nesta perspectiva? A compreensão mais originária e correta de mistério vem da Igreja antiga. Não era uma realidade e incompreensível ao intelecto humano. Mistério era o desígnio de Deus, revelado a pessoas privilegiadas como os grandes místicos, as pessoas santas, os profetas e os apóstolos e comunicado a todos por seu intermédio.
Quem encontrou um amigo encontrou um tesouro. De fato, não há realização mais plena, infinita, concreta, real, nem alegria maior que uma grande amizade[7], esta é uma estrela no céu de nossa vida, uma bússola que orienta os Caminhos do Campo, ela revela em nossa história o que somos no mundo. Ela dá segurança, confiança, esperança, realização, proporciona alegre convivência, feliz relacionamento, realizado convívio, elimina o sentimento de solidão, de tristeza, de perdição, de confusão e desespero. Por isso, onde está o tesouro de alguém, ali também se encontra o seu coração (Mt 6,21). Isto significa que ali estão os afetos e as aspirações.







2.2 – A DESCOBERTA DO OUTRO[8]

A descoberta do outro é, pois, fundamental na vida humana. Tornar-se como que parte integrante do outro e fazer dele uma parte integrante de si. Depois de longa luta, com armas que não são materiais nem de destruição, poderá dizer que este outro é a “metade de sua alma”.
O caminho da identidade onde se realiza a relação do homem com Deus passa pelo da diferença no interior da qual Deus se dá ao homem. Não seria necessário deduzir daí que Deus é o inacessível, o incognoscível, o radicalmente Outro: “Se o outro é uma pura alteridade, ele cai necessariamente no anonimato, nada tem a dizer-me, torna-se insignificante, não haveria entre ele e eu nenhuma relação”.
Longe de excluir, como pensa P. Tillich, a realidade da presença divina, o abismo do Ser, de que nos fala Heidegger, é talvez a única via que se oferece à reflexão para conjugar, num mesmo movimento, a transcendência e a imanência de Deus ao homem.
Se a transcendência mais não fosse do que um estado fora do nosso alcance, como a compreenderíamos como um movimento interior?
A nossa existência é como um ato solicitado por nós. Se transcender mais não fosse do que “estar infinitamente acima de”, o Transcendente por excelência, poderia ser considerado ao mesmo tempo, mais íntimo em mim que eu-mesmo?
A inspiração “eidética”[9] e “erótica” da metafísica impedem o pensamento de toda superação até ao Outro.
A transcendência onto-teológica que o realiza não é senão a absolutização do Mesmo. O modelo secreto que anima a reflexão é o do “subjectum” e do “objectum”. O objeto representado é uma objetivação do “subjectum”: o homem concebido como sujeito autônomo transfere para o objeto os seus próprios caracteres e valoriza-o em função das suas exigências.
Inversamente, o homem-sujeito é interpretado segundo o modelo subsistente. O pensamento, fechado no círculo representativo do sujeito e do objeto, não pode sair de si próprio: está condenado a refletir o Mesmo sem nunca chegar ao Outro. Oscilando entre o sujeito e o objeto, a reflexão não encontra, por todo o lado, senão a sombra trazida por si-própria.
Esgota-se a analisar as suas próprias condições de possibilidade, a refletir-se sem fim, a menos que consiga realizar a adequação perfeita entre o representado objetivo e a representação subjetiva.
A partir do amor de Jesus pelos discípulos se estabelece a norma cristã. Este é o novo mandamento: “amai-vos uns aos outros como eu vos amo” (Jó 15,12). A fonte de tudo, porém, é o Pai: como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor.
Por amor, nós nascemos; por amor, vivemos; ser amado é a alegria da vida; não sê-lo ou não saber amar é infinita tristeza. “Quem não ama permanece na morte” (1Jo 3,14), não nasce para a vida: o amor é a experiência originária e originante da existência, o êxodo originário que é, ao mesmo tempo, o misterioso e originário advento do dom de existir.
Quem ama reconhece o outro enquanto outro e tende a tornar-se um com ele, não suprimindo a sua alteridade, mas a oferecendo sua própria identidade e acolhendo o dom da identidade do outro. Quem ama lembra-se de seu amor, o significado e sentido, retém, entrega-se de corpo e alma, doa-se na sua realização. Como se sente no mundo, a autenticidade é o a-núncio do Amor. O amor é êxodo sem retorno, oferta radical de si; o amor é advento sem saudades, acolhimento radical do outro.
O senso da comunhão radicada nas profundezas da Trindade santa liga-se à ênfase dada à condição histórica do povo de Deus e de suas relações com a complexidade do humano. A liberdade cristã, profundamente descentrada, entende-se fundamentalmente como decisão relacional em face das pessoas, de Deus e dos irmãos. A revelação cristã fala-nos de uma presença de Deus que nos liberta a liberdade para os outros.
Só há pessoa humana onde existe intersubjetividade, liberdade pessoal, que não se reduz a uma grandeza objetiva nem subjetiva, mas se manifesta no amor que dá e recebe. É na decisão pelo amor ao irmão que a liberdade cristã se encontra diante de Deus. E o amor significa, antes de tudo, o acolhimento de outrem como tu, quer dizer, as mãos cheias[10].
Nesta vida alcançada e contagiada pelo amor, tudo tenderá à Trindade, meta e pátria do caminhar do homem: tudo um dia repousará nela, quando o amor não mais conhecer ocaso, e o êxodo e o advento tiverem se encontrado para sempre. Então, “Amor e verdade se encontra, justiça e paz se abraçam” (Sl 85,11). Então, “da terra germinará a verdade, e a justiça se inclinará do céu” (v. 12).
Existe apenas o diálogo “eu-tu”? Não. Existe também a comunhão entre o eu e o tu. A comunhão surge quando o “eu-tu” se expressam juntos, quando superam o eu e o tu e, juntos, formam uma relação nova que é o “nós”. Dizer “nós” é revelar a comunidade.
Um Tu insere-se entre o eu e o Ele absoluto. Não é o presente da história que é o entre-dois enigmático de Deus humilhado e transcendente, mas o rosto do outro. E nós compreenderemos, então, o sentido insólito – ou que volta a tornar-se insólito e surpreendente desde que esquecemos o murmúrio de nossos sermões – compreenderemos o sentido surpreendente de Jeremias, 22,16: “Ele fazia justiça ao pobre e ao infeliz... Eis o que se chama conhecer-me, diz o Eterno”.
O amor é o “eu” satisfeito pelo “tu”, captando em outrem a justificação de seu ser. O amor faz do homem um outro, pois, se se atreve a amar, a escolher, se se atreve a ser ele mesmo, precisa quebrar a imagem em que o mundo encarcera o seu ser. Nós nunca vivemos, sempre con-vivemos. Tudo o que favorecer a convivência é bom e vale a pena. Por isso, vale a pena acreditar nesse modo comunitário da existência de Deus, do jeito trinitário de Deus que é sempre comunhão e união de três.
Amado assim por Deus, o homem pode vir a se tornar capaz de amar o próximo. Envolvido pelo amor eterno e acolhido na história trinitária do amor, o homem pode, por sua vez, construir histórias de amor nos humildes dias de sua vida.
A fé aperfeiçoa o olhar interior, abrindo a mente para descobrir, no curso dos acontecimentos, a presença operante da Providência. A tal propósito, é significativa uma expressão do livro dos Provérbios: “A mente do homem dispõe o seu caminho, mas é o Senhor quem dirige os seus passos” (16,9).
É como se se dissesse que o homem, pela luz da razão, pode reconhecer a sua estrada, mas percorrê-la de maneira decidida, sem obstáculos e até ao fim, ele só o consegue se, de ânimo reto, integrar a sua pesquisa no horizonte da fé. Por isso, a razão e a fé não podem ser separadas, sem fazer com que o homem perca a possibilidade de conhecer de modo adequado a si mesmo, o mundo e Deus.



[1] A Trindade mostra que de por baixo de tudo que existe e se move habita uma dinâmica de unificação, de comunhão e de eterna síntese dos distintos num infinito todo, vivo, pessoal, amoroso e em absoluto realizador.
[2] De importância fundamental faz-se mister ressaltar que a fé, no que tange à comunhão trinitária, pode se transformar numa bandeira de libertação integral e de princípio promotor das buscas de participação pessoal, social e histórica. Leonardo Boff, em Do lugar do pobre, lembra-nos que a libertação “constitui um processo aberto envolvendo o homem todo e todos os homens; por isso se diz que é integral; portanto, não é só espiritual, do pecado manifesto que nos separa de Deus, mas é também econômica, política, social e pedagógica”. (Boff, Leonardo. Do lugar do pobre. Vozes. 2º edição. Petrópolis, 1984. Pág. 55)
[3] A ressurreição precisa de algo anterior: o seguimento. Por isso, embora a ressurreição seja um dom, enquanto acontecimento real, para ser compreendida precisa de algo anterior a ela.
[4] BOFF, Leonardo. Do lugar do pobre. Vozes. 2º edição. Petrópolis, 1984. Pág. 94
[5] Cf. Lc 4,18-19; Is 61,1-2)
[6] Cf. St, pp. 198s)
[7] Não me ocorre se não devesse registrar neste instante desta dissertação, o que realmente originou este trabalho, na época em fora escrito, sem qualquer técnica científica, 1999, quando ganhara de meu maior amigo, Paulo César Carneiro Lopes, um livro de Leonardo Boff, A Santíssima Trindade é a melhor comunidade, Petrópolis 1999, presente de meu quadragésimo terceiro aniversário. Com a sua leitura é que nasceu esta dissertação. Estava eu passando uma fase muito difícil da separação de meus dois filhos, Sacha Lucien e Kayros Christian Moser Ferreira, e o amigo-compadre fora quem neste tempo, durante dois anos, estava muito preocupado em ajudar-me, dar-me todo o apoio possível para a “passagem serena”, presenteara-me com esta obra, e realmente fora, pois nestes cinco anos após a leitura e a escritura dessa dissertação tudo fora tomando outras feições, mostrando-me o verdadeiro rosto, que sempre buscara, e desde o encontro com o amigo-compadre entregara-me a esta busca, o Verbo Amar, e este só se daria  na continuidade. Escrevi-o – estou já um pouco mais amadurecido para o dizer – à luz da Amizade, o que estava ela abrindo através das  portas da vida, como estava a ajudar-me espiritualmente – preocupação constante do amigo-compadre – como pudesse, conhecendo-me bem. Daí, em 2000, tive a oportunidade de publicar o meu segundo trabalho, uma novela, Ópera do Silêncio, Armazém de Idéias, Belo Horizonte, 2000, com a ajuda cordial e humana do amigo Newton Vieira, membro da Academia Curvelana de Letras, poeta e escritor, jornalista, o conhecimento de minha segunda-esposa, Marize Lemos Silva, em 2001, quando vim a Diamantina para fazer uma Palestra no Seminário Provincial Sagrado de Jesus, Razão e Iluminismo no Século X: A Iluminação, a convite de Padre Renato Diniz Magalhães Filho, que se tornara o meu padrinho de Casamento no Civil, para o primeiro período de Filosofia:, março de 200l, tendo uma declaração desta Palestra, dada por Padre Paulo Henrique, reitor do Seminário. Daí, o casamento no Civil com Marize Lemos Silva. Em resumo, do conhecimento do que sentia por meu amigo-compadre, cáritas, a amizade, é que nasceu esta dissertação. A Metáfora da Fonte Originária é,,sinceramente, o Amor Cáritas. Este é o fundamento de minha dissertação, Ouro e Riso, lembrando-me de um excerto de Ópera do Silêncio, “O desejo de amor só vive de entrega, onde têm raízes a iluminação e a consagração, cujos frutos são os sonhos que alimentamos e AFAGAMOS, e quem a outrem, Senhor, alguma vez, desalgemar de mim as mãos rápidas de gestos, deixando-me-ser aos olhos e ouvidos atentos e à minha nítida simplicidade de alma” (pág. 15), cuja epígrafe é “O que fundamenta a proximidade entre o homem e Deus são a cruz e o tempo”, a epígrafe do início, “Se a inteligência do homem operar, o que, então, mais que a sabedoria, é artífice dos seres” (Sabedoria, 8,6) Esta novela é anterior a esta dissertação: esta,, julho/1999, aquela,  setembro/1999. A amizade é, com os conhecimentos que tenho de teologia, a chave de entrada no Reino de Deus, esta fora a que me entregara o amigo-compadre Paulo César Carneiro Lopes, e, hoje, realizado, sigo os meus Caminhos do Campo, dizendo-lhe, ao amigo-compadre: “Amigo, seguimos a nossa vida à busca do Verbo Amar”. Por ocasião de haver gravado uma crítica ao programa de Padre Manuel Quitério, Lançai as Redes, TV Diamantina, tivera a oportunidade de dizer a  importância deste programa estava fundamentada nas palavras de Padre Manuel Quitério, palavras nascidas de experiências, de vivências, das relações com-os-outros. A fé, apenas fé, significa algo: um dom divino; a fé, conhecimento, significa algo: a doação, a entrega.
[8] “Fora do domínio da fé, em que a presença de Deus adquire uma realidade e intensidade incomparáveis, o ser, seja ele qual for, desde que seja apreendido interiormente, apresentará sempre ao filósofo o múltiplo mistério da sua existência, da sua duração, da sua estrutura, da sua adaptação ao resto do mundo, das suas relações intersubjetivas, da sua finalidade última. Tal mistério, com aspectos sempre novos, é o de uma presença na qual a nossa razão, juntamente com o nosso coração (e o coração é aqui razão, como pretendia Pascal) congregam vida e amor – e constitui um apelo à nossa própria presença.
“Não há Tu senão para um Eu: qualquer presença é necessariamente um face a face e como que o canto da amizade”. (FERREIRA, Manoel. Alteridade do Outro em Sartre – Uma leitura do Outro e o Olhar em “O Ser e o Nada”. Gráfica Urgente, Diamantina. 2003. Pág. 95). 
[9] Relativa à essência das coisas e não à sua existência e função (Husserl)
[10] “Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e os cumes das montanhas (grifo nosso) lhe pertencem”. (Sl 94,4). Padre Celso de Carvalho tem uma expressão mui original e cristã: “Mãos Vazias/ De tanto dar ou de nada ter”.

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