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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Luzes do ser e metáfora de tudo/tributo a curvelo Manoel Ferreira



Signo de nada/metáfora de tudo.
Da aurora ao crepúsculo
A continuidade do dia,
As lutas pela vida,
Pela sobrevivência,
Pelas conquistas e realizações
De verbos,
De versos,
De alegrias e fantasias
Do pleno e absoluto.

Dos idílios e sorrelfas
Às ilusões efêmeras e vulgares,
Perpetua-se nos raios de sol
A busca de verdades,
A querência do sublime,
Do silêncio.

Imagens se a-nunciam,
Ainda que mister seja
Senti-las bem íntimo
Para que desenhadas
Em letras e sentidos,
Verbos e versos,
O que perpassa a alma
Seja revelado
Com acuidade
E perfeição.

O uni-verso
Na verticalidade
Do verbo
Em sua utopia
Estética e ética
Da consciência
Se me apresenta
In-completo,
Tenho-lhe de encontrar
Nas rimas sensíveis
Nas entre-linhas do sentido
A metáfora que suprassuma
A razão,
O símbolo que eleve
A intuição,
Imaginação,
A sensibilidade. 

Vívida linear-idade
Geo-metriza a noite,
Cristal-iza a passagem
De seu tempo
que germina,
gera outras perspectivas
da aurora, da continuidade do dia,
diante das situações e circunstâncias
de todas as contingências,
árduas labutas, cansaços e problemas,
ao crepúsculo,
grávidas de sorrelfas e in-verdades,
de idílios e fantasias,
de quimeras,
sonhos do verbo
“PERPETUAR”,
Utopias de realizações e prazeres,
desejos do pleno e sublime,
da Verdade e da Vida,
concebe outras imagens,
por vezes nítidas do in-finito
das querências nas ad-jacências
dos limites e trans-cendências
dos contingentes liames entre
o lícito e o ilícito,
a verdade e suas in-verdades
de percepção e análise,
das utopias que habitam o espírito,
por vezes en-veladas do uni-verso
de equívocos, clar-itude de silêncios,
nas linhas ilimitadas de confins e arribas,
na vers-ificação espontânea e livre
de outros amanhãs, de outras veredas.     

Lívida horizontal-idade
gera de luzes in-versas
miríades,
germina de buscas re-versas
solidões,
concebe de desejos do pleno avessos
desertos, chapadões, florestas silvestres,
abismos, buracos de tatu, cavernas;
germina-gera miríades de luzes
em oásis de ser,
felicidade.  

Transparente vertical-idade
concebe das miríades in-versas
as luzes que iluminarão o deserto de solidões,
das sombras à espera do descanso
e tranqüilidade das labutas quotidianas,
das inseguranças e medos do desconhecido,
inconcebível, inaudito, ininteligível,
o sertão de angústias, desolações,
o pasto de caminhos por onde conduzir
as vacas para o curral,
amanhã cedo o leite para alimentar os homens,
o sil-êncio de querências,
os verbos de utopias e sonhos
de liberdade, de consciência,
de mitos, lendas, causos di-versos; 
os uni-versos de presença
se abrirão
às mensagens de esperanças
de outras imagens
de fin-itude e mortalidade,
de outras pers-pectivas
do sublime e do eterno,
de outros versos do UNO
e do SER-UNO.

Nítido re-verso de in-versos
                     Conhecimentos e sabedorias,
                 Cânticos do sagrado em bíblicos
                 Desejos espirituais do amor e ressurreição
                          À luz de imagens e paisagens,
                          Re-fletidas e incididas,
                          No limiar de todas as esperanças
                          E de todas as fés
                          No pleno e plen-itude de uma
                          Cultura e arte que se abrem
                          Às estrelas e à lua
Do SER,
        DIVINO.

        Linearidade!...
        Horizontal-idade!...
        Vertical-idade!...
                        In-vers-idade de re-versos!... 

Pequenas palavras surgidas de súbito -  ilusões de poesia e poiésis no leito de palavras e sentidos, no regaço de dialéticas da iluminação, musicalidade e ritmo da sensibilidade, lírica e sonoridade de percepções do espírito, intuições do ser e essência, à mercê da inspiração e intenções di-versas, em princípio, sugerindo que foram pensadas e sentidas para outras virem à soleira, na sua algibeira promessas de futuro, in-finito, no seu alforje as querências e desejos da plen-itude às avessas da in-finitude, ao re-verso da imortalidade, ao in-verso do ab-soluto, ao verso de horizontes finitos, às estrofes de sentimentos de amor e paz, de felicidade e alegrias mil e tantas, dizerem suas verdades -  modificam a linguagem, estilo, nasceram poiéticas, prolongam-se poéticas em busca do verdadeiro verso do espírito e do ser, re-velando perspicácia, trans-parência de sensibilidade na sublimidade do tempo, nitidez da alma na perenidade do efêmero, acompanhadas de vivacidade, aqueles olhares transcendentes em busca das sagacidades dos linces do mistério, seguidos de inteligência e flexibil-idade das a-nunciações para um mergulho profundo, para uma visão ampla de pormenores dos enigmas que lhes envolvem, dos segredos que lhes habitam os interstícios da alma plena de desejos e questionamentos.
É preciso descer à solidão da memória e começar a garimpar cristais perdidos, é preciso subir ao silêncio do ser-espírito e inicializar a con-templação do porvir, do verbo por se tornar carne, ter aquela vontade indescritível e indizível de ser ele o tesouro mais importante que todas as coisas no mundo. Um dia algo foi bom, verdadeiro, a luz do sol re-fletiu na pedra angular do ser e do espírito a querência suprema do homem, o AMOR, e o reflexo deixou-lhe perplexo...
Ninguém coloca alguém ao seu lado acreditando que o faria infeliz, embora possa querer e desejar o mais profundo, ninguém traz alguém para dentro de sua intimidade achando que iria sofrer, penar à revelia do quotidiano à consumação do tempo. Ninguém mergulha no silêncio da memória, sabendo que de lá nada trará à superfície que possa ser objeto de mudanças e transformações sensíveis, emocionais, psíquicas, espirituais, racionais e intelectuais. Por que agora me sinto estranho? Seria a memória ou o silêncio o responsável? É comigo próprio. Creio e acredito ser mudança que se manifestou, inda não a conheço, ser transformação que se a-nunciou, espero conhecê-la no íntimo, saciar as fomes e sedes que me acompanharam desde tempos imemoriais, que me seguiram os rastros deixados no solo.
Não é para conhecer que escrevo, que imprimo na lívida página caracteres-signos-símbolos do que habita os interstícios da alma, desejos, vontades e esperanças, apesar de o conhecimento se manifestar inevitavelmente, de com perspicácia de entendimento mostrar a vida na roda-viva de todas as travessias con-tingenciais e trans-cendentais, mas para exteriorizar os sentimentos e emoções que me perpassam, disso necessito para outras jornadas, mesmo para prolongar a vida, mesmo para trilhar a sinuosidade das estradas e caminhos, mesmo para re-fletir os desenganos e conquistas. 
Que é a luta senão canção de liberdade para a vida verdadeira que se tece na vigília? Que é a esperança de conquista senão as sensações da liberdade que se e-nov-elam nas trilhas de idéias de re-nascimento e re-[n]-“ov”-ação? Imagino o céu que eleva brilho in-ec-sistente aos confins do absoluto e arribas do efêmero, a vida são dialéticas, contradições, mas olho as estrelas e me sinto feliz, faço-me calado e num traço corto o uni-verso, toro a madeira do horiz-onte, destrinço as carnes do longínquo e infinito – é trabalho árduo de faca e machado. Olho para o céu sempre no espaço... há esperança e estou participando, orando por ele.
Con-templo o horizonte que, agora, se ergue, imperceptivelmente, num movimento cansado, e sacia as duas sedes que ninguém pode enganar por muito tempo, sem que o ser se estiole - a sede de amar e a de con-templar o verbo amar, as utopias e sonhos que nele habitam, o que ainda há-de se a-nunciar, re-presentar-se, por inter-médio de seus verbos mostrar-se nítido e trans-par-ente. 
  Não me real-izo tão alto como o vôo de uma gaivota, no seu descansar nas areias brancas do oceano ou do mar, nem tão baixo quanto uma gota de orvalho, porém sinto a ânsia de me situar no in-finito, posicionar tudo quanto valer o meu talento, tudo quanto forem úteis as labutas e forças, tudo quanto a inteligência e a sensibilidade forem capazes de manifestar para o encontro do belo, da beleza, do sublime, do espírito, acima de tudo, da espiritualidade, mesmo que tal paixão seja ilusória, seja até fruto de imaginação fértil, mesmo que seja em conseqüência disso, continue prolongando-me na mera quotidianidade dos problemas, dores e sofrimentos múltiplos – o próprio in-finito é tão vago, limitado e não-matéria, a in-finitude, tão vazia e etérea, que me surpreende a ânsia, excita-me os êxtases e volúpias, surpreendem-me as expectativas do encontro e das experiências, des-encontro e vivências, não a compreendo em mim, por isso me sinto sensibilizado, tanto que reservo em mim espaço para questionamentos e re-flexões, faço-me montanha durante o dia nos longos passeios, de onde vis-lumbro e a-lumbro o panorama da terra, de onde con-templo a natureza e a criação divina, des-lumbro as bonanças e infortúnios, faço-me caverna à noite, para o refestelamento merecido, por outras coisas não, sou avesso às metafísicas da pó-eira na soleira dos abismos íngremes, às poeiras da metafísica do avesso nas margens de estradas de solo trincado pela seca de meu sertão, por mais que tudo me contra-diga na expressão e comunicação de meus uni-versos da alma e do espírito, resta-me aquele sorriso sutil de decepção, desolação, aquele olhar de quem está sendo iluminado e espiritualizado para outras remin-iscências do ingênuo, do puro, da virg-indade das palavras e de seus sentidos, do hímen do dito e inter-dito. Quisera saber o porquê, permaneço na trilha do questionamento, re-velar-se-á nalguma curva “de caminho sinuoso a essência do pó-ema do ser na continuidade dos amores e esperanças” a verdade por que me entreguei inteiro, que, de algum modo, trans-cenderia as meras contingências da vida, seria leitmotiv para outras jornadas do espírito e ser adentro, sentindo-me contente e saltitante.

Às avessas da in-finitude,
Semeando a sempre-viva consciência,
Ética e estética das dialéticas da iluminação,
Acompanhada de vivacidade,
De que saciar as fomes e sedes da humanidade
É con-templar o verbo amar,
De que regar as volúpias da essência do pó-ema do ser
É vis-lumbrar, a-lumbrar, des-lumbrar,
Na continuidade das esperanças,
Caminho sinuoso das estrofes,
Na continuidade dos amores.
Na des-continuidade das sensações,
Sentimentos e emoções;

Ao re-verso da imortalidade,
O que aflora da flor na caverna do pó-ema,
No pó da caverna da flor
Que exala o seu perfume etéreo e perpétuo,
Na montanha da prosa escorreita e erudita,
Quando os olhos re-colhem e a-colhem
No sonho o desejo do amor e do bem,
No desejo de encontro com  Deus,
Na vontade da Vida inerente
À Paz, Compaixão, Solidariedade?;

Ao in-verso do absoluto,
Esquenta na memória o que surpreende
A in-finitude das expectativas
Do encontro e das experiências,
O perfil das iluminações,
A claridade da transformação,
A visão do rio que faz o curso
Sem sair do leito,
A consciência da origem que rega
Continuamente o desejo de perpetuação,
Sempre revelando verdades inconscientes,
Sempre a-nunciando outras buscas,
Querências
À luz de outras letras, eivadas de mentiras,
Que despertam a luz das verdades,
Isto é literatura,
Isto é o ser em que acredito
Dispus-me a erguer a bandeira
Da morte por ele;

Ao verso de horiz-ontes finitos,
A fadiga do uni-verso faz meu fardo
Ser como pluma,
Ser sentimentos e emoções
Que me perpassam,
Sem que o íntimo se estiole
Em miríades de sim e não.

Não me sinto tão satisfeito como o canto da coruja na madrugada, nalguma galha de árvore, na profundidade de sua mensagem de desejos, buscas e esperanças de conhecimento e saber, contudo sinto a egrégia necessidade de arrancar das experiências e vivências o conhecimento de quem estou a fazer-me, o que posso dele expressar para alimentar os sonhos e utopias dos homens, regar a fé e as esperanças da felicidade e da paz íntima, o que posso dele nutrir-me para a satisfação e saúde somáticas.
Desejo ir, além do conhecido, do sabido, quero ultrapassar o tempo e a luz, num momento de começo ou de fim, num instante de tudo ou nada, contudo estou estático, sou a vil matéria, sou resíduo, sou vestígio, sou memórias de um tempo de coronéis, jagunços, de assassinatos para que o sangue fosse visto correndo vivo e quente, de princípios radicais e insensíveis, sou inconseqüente em mim mesmo, sou destemido frente às ameaças, pressões, não bato de lado, pelas costas, bato de frente, noutras palavras, não como angu quente pelas beiradas, enfio a colher no meio, sopro antes de levá-la à boca, não sou imbecil para queimar a boca e a língua, e quando sopro destilo nos ares da crítica a realidade de todas as hipocrisias conhecidas e inconscientes  – “o artista é a origem da obra e a obra é a origem do artista” dissera filósofo alemão, com quem aprendi a separar os sufixos das palavras com hífen, a trans-gredir as normas da separação de sílabas em busca de categorias e pó-esia, de pó-iésis e trans-cendências, o que apreendi e aprendi levo a critério, auxilia-me nos mergulhos profundos de verbos e essências.
 Perco-me no ponto que sou: de partida ou de fim, metamorfoseando-me na busca do ser, da auto-explicação. Trilharei apenas as mesmas pegadas, os mesmo rastros que me legaram, que me conduzirão impreterivelmente ao mesmo NADA? Se ad-mito haver vindo do nada e ao nada re-tornarei, esse questionamento a priorijá está respondido, mas a máxima diz: “Antes o nada, depois o cosmos”. O cosmos se faz na continuidade das buscas, realizações, encontros e des-encontros, é a realidade da vida, é o real da exis-“t”-encia, nem Deus diz que não devo, não me é permitido, sentir o simples de minha vida.
Quero marcar ponto na ec-sistência, quero pontuar a alma dos pastos de meu regresso passado, quero marcar boitempo, quero as-{s}-inalar e sublimar o tempo-boi,  acontecendo no acontecer que me criva de balas e me retalha a sabres. O boi-tempo me dá uma lição de coisas: tenho alguma poesia e o sentimento do mundo, tenho versos e a visão da vida, tenho palavras e ausência de vocábulos. O tempo-boi me deixa vazio: tenho de criar palavras para na forma, estilo e linguagem colocar versos na prosa, comungar sentimentos e idéias em busca das verdades que me habitam a alma, reunir sonhos e in-verdades em busca de in-finitas inspirações que residem em minha sensibilidade, a jornada é longa e sem fim, a caminhada é sem princípios, meios e términos. A vida passa e o vento ainda me leva para bem longe, para o in-finito... in-finito do nada, nada de ser tudo, tudo en-si-{mesmado}, re-verse a mesm-idade desta imagem, in-verse a nonsens-idade destas pers-pectivas do tudo escuro, as voltas pelo balanço incansável de corrigir, re-levar as batidas que cada palavra sussurra, que cada sentido e viagem nas asas do transcendente murmura e mostra nítido e límpido. Viagem longa, curta filmagem de ver um instante, um começo fantasiado. 
Há uma hora no céu, não sei dizer, sinto-me feliz por assim sentir e pensar, se quando amanhece, se quando entardece, em que até Deus fica triste, quer vir para Curvelo, quer passear pelas ruas e avenidas, quer curtir as belezas do início do sertão, fazendas e gados, passear tranqüilo e sereno pelas alamedas, becos e ruas arborizadas, sentar-se na escadaria da Praça da Cultura, con-templar o maravilhoso Pôr do Sol,com os velhinhos aposentados na Praça Benedito Valadares, trocar dedos de prosa com os boêmios, com as donzelas des-pertadas para a busca do amor e do carinho em abraços e beijos no Nice´s 2, “good old times” de minha juventude em companhia de amigo íntimo e espiritual, quando ficávamos até a plena madrugada, o garçon fechava as portas, continuávamos dentro, falando de literatura e filosofia, discutindo idéias, pro-jetando o futuro de nossas vidas como artistas, com os homens que têm rumos e destinos a serem cumpridos e realizados, mas o mundo é grande e pequeno, pronunciar novas Palavras, acrescentando-as no Sermão da Montanha, o misticismo curvelano irá assimilá-las com facilidade, serão verdades e projetos de evangel-idades, conversas in-formais por todos os cantos e recantos da cidade.  
Desejo pactuar comigo de acaso em acaso, sem caso formal de ideologias que nem são minhas, sem fato informal de interesses de que nem sou o artífice – não chamo o que necessito para despertar o ser em mim de interesse, chamo de querência. Quero libertar meus mitos, meus ritos, minhas lendas do encontro e do des-encontro, fracasso e frustrações, desilusões e ressentimentos, meu grito de toda repressão de formas que destroem a forma na busca secular do meu ponto-comum-limite, que aniquilam a “libertas” do “quae será tamem”, quero ser curvelano de ser e não-ser, quero ser mineiro de sonhos e utopias cristãs, pagãs na imanência e contingência de todas as correntes e algemas, trabucos e chibatas, do tempo na sua roda-viva de sim e não, quê esplendida rede de nada e tudo, efêmero e nadig-encial, quê maravilhosa teia de fios e arte de tecê-los! A idéia de meu pensamento, angustiada, que se enclausurou no fundo de meu ser, indizível, incomunicável, inaudito, por mais que quisesse ser expressa, ser dita, por mais que a quisessem expressar, dizer torna-se-me sensível, por vezes inseguro, pois que me fogem as perspicácias da concepção, criação de palavras que a id-ent-ifique. 
A vida passa, passa relando, e o mineiro, o curvelano não pode parar, olhar, compreender, não pode pegar uma senha de sonho, uma senda de sono, não pode sequer entender a pressa do tempo que embranquece o cabelo, o peso do ofício que enferruja os pulmões, o sentimento da “casquinha” que sente amigo ao dizer de sua felicidade e alegria passageiras, mas no dentro de sua esperança a luta radical por tecer outras realidades e conquistas em sua vida, a fome do azul que inventa o avental, a sede do verde que cria os olhares ao distante, ao longínquo, além de todos os chapadões e pastos. Passamos, mineiros e curvelanos, ventando na poeira do giz, sem descer à solidão, sem espalhar coisas sobre o chão de giz, passamos pensando que tudo sabemos, conhecemos, entendemos e compreendemos,  mas não soletramos uma simples roleta de jogo ou de morte. Nosso mistério insiste em permanecer ininteligível, em ficar envelado nas mineir-ices e mineir-alidades, nas mineir-icências e mineir-idades para que no passar do tempo nossa índole não se esvaeça, nossa estirpe não se dilua, nossa laia não se sujeite às correntes e algemas, nossos princípios de honra e caráter não se percam no tempo de ideologias e interesses espúrios e súcios, outras gerações continuem buscando, querendo, desejando, tendo vontade do encontro com a VIDA na sua essência plena e eterna, com o AMOR nas montanhas gerais, nas mineiras colinas, incidindo no seio de todos os amantes da verdade.

A fome do azul que in-venta o avental,
Tenho poesia e sentimento do mundo,
Tenho versos e visão da vida,
Tenho estrofes nas in-versões da estrutura
Da ÚLTIMA FLOR DA LÁCIO,
Reunir sonhos e in-verdades
Em busca de in-finitas inspirações,
Nos mergulhos profundos de verbos e essências
A sede do verde que cria os olhares ao distante,
                   Ao longínquo,
O mistério insiste em permanecer in-inteligível
Nas mineir-icências e mineir-alidades,
Os enigmas persistem em não olvidar
As mineir-ices e mineir-idades,
As essências e o ser delas
Não tergi-versem as sendas
Do aqui-e-agora.

O tempo-boi me deixa vazio,
Acontecendo no acontecer
Que me criva de balas,
 Retalha a sabres;
Quero pontuar a alma dos pastos
De meu regresso passado,
Quero marcar boi-tempo,
Tenho de criar palavras para, na forma
Circunspecta, en-si-{mesmada},
Estilo e linguagem colocarem versos na prosa,
                   Prosa nos versos,
Comungarem sentimentos e idéias
Em busca das verdades que me habitam a alma,
Sentimento da “casquinha” de felicidade e alegrias passageiras,
“Antes o nada, depois o cosmos”,
“O artista é a origem da obra e a obra, origem do artista”

Enquanto no silêncio falsifico, omito o verbo e me faço caverna, em Curvelo, em Minas, arde a verdade pontuda da carne e do amor, planície lúcida de onde emerge o TEMPLO nos auspícios da montanha do ser – dissera escritor e intelectual curvelano, mergulhado na sua sensibilidade e inteligência, na sua visão-(da)-verdade  e na intuição-do-ser, o sertão mineiro é pura e singelamente UTOPIA CRISTÃ, fora Guimarães Rosa quem o iluminou na “DIALÉTICA DA ILUMINAÇÃO”, inspiradíssimo na brincadeira com filósofos da Escola de Frankfurt, Alemanha, o que não apenas concordo, endosso, estendo-lhe a mão esquerda para seguirmos juntos as veredas da cristianidade de todas as utopias, caminharmos juntos por todas as veredas e sendas, por todo o Grande Sertão: Veredas.  Deduzindo o belo do horizonte curvelano, sobra o sonho em nossas retinas e a quimera da liberdade na travessia das tradições e crenças de Minas, a sorrelfa da plen-itude nas nonadas das crendices e fé do povo. Nas labutas por construírem a vida eivada de princípios da honra e dignidade, os curvelanos vão caindo talvez de um susto ou às vezes de um sonho onde há a realidade da própria realidade, o real do próprio real, a vida da própria vida... a derramarem sem choro nem vela, apenas contendo com algumas lágrimas o orgulho de sua índole ec-sistencial. 
A toda a extensão da cerca de pedras, separando a estrada do campo aberto, por onde os ônibus passam levando passageiros para outras plagas e outras realidades,de mês em mês dentro dele me encontro, observando e olhando com percuciência os panoramas e paisagens da natureza, naquela angústia e ansiedade de novamente pisar o solo de minha querida terra-natal, passando por nossa amada e querida Curvelo, as colinas emergem a massa das sombras estéreis, erguem para o sol, lentas, quem sabe até serenas e humildes, no fundo de noites de gênese, concepções e criações, ideais e fantasias, ficam imóveis, inertes, irradiadas de espaço e silêncio, havendo um ressoar do primeiro, como num mundo primordial, como num horizonte de esplendidas imagens do puro e singelo, da cristal-idade e sublime, como desenho as letras de meu nome na vidraça – encantadoramente malfeitas, de propósito, e até com escusas intenções -, as letras escorrem, escorro-me com elas...
Angustio-me até à vertigem. Será o amor um limite, será a verdade um obstáculo, apenas a procura de um repouso que não há, de uma rede que não foi estendida desde a soleira à eternidade para a sesta dos sofrimentos e dores, para a fuga dos problemas e traumas, para a justificativa dos conflitos e ignorâncias? A essência de minha sensibilidade, espiritualidade, de meu amor, angustiada, que se encarcerou no fundo de mim, que se algemou e acorrentou ao passado de todas as injustiças e gratuidades,  de todos os coronelismos e jaguncismos, nos cofres do fundo de mim, incomunicáveis, por mais que quisesse ser transferida, por mais que a quisessem transferir. Belo é o que se não conhece, o que se não conquistou, o que se não sabe. Infinitude é o que se imagina, o que se deseja, o que se sonha. Finitude é o que está aqui, tecendo estas letras, a finitude sou eu, não como ser humano, nasci, vou morrer, inevitável e necessário, carne e ossos são perecíveis,  mas como o “ser” que nasce e morre a todos os instantes, por que não vivê-la com dignidade e ternura?  Angustio-me até ao suor: “vós, alguém vivo em vós, ser estranho, fulgor estranho!”
As luzes que iluminaram a presença dos outros, dos que me precederam, antecederam, eles a consumiram para si mesmos, sentiram-se fortes e presentes, sentiram-se eternos e imortais, sentiram-se ser e sentiram-se não-ser, no modo estranho de saberem que estavam vivos, no estilo inaudito de conhecerem os mistérios, enigmas, lendas e mentiras da vida e busca do ser, mitos da felicidade e alegria que se a-nunciam na aurora, cont-ingenc-iam os instantes de sonhos e labutas pela evidência e trans-parência dos ideais de paz e harmonia, imanenciam os momentos de dores e sofrimentos pela clarividência e nulidade das idéias de amor e carinho pela vida, medos da morte e além-túmulo.
O próprio tempo é finito, já nasceu sem tempo, segue em frente, não pára. Ainda que me curve diante do meu-ser-tempo ou do meu-ser-fim, meu sim, dos outros “sim”, não se pode transferir para ninguém o fim do ser ou o ser do fim, não me darei por vencido, não aposentarei as minhas botinas, que ontem adquiri apenas para sentir o que elas significam nos pés, colocando-as atrás da porta de entrada de minha residência, ou como diz em Curvelo, “as minhas esporas uso-as até ao fim”, as minhas botinas são inspirações para entrar na essência de minhas origens,  se não me falha a memória, isso ouvi sendo dito por um funcionário do caminhão da Prefeitura que levava os quartos dos bois aos açougues, ajudei a todos, carregando coração, pescoço, bofe...,  sentado no curral do Matadouro de Zé Tameirão, saudoso amigo de quem sempre me lembro com alegria, que, aliás, todas as manhãs encontro o funcionário, tomando o seu cafezinho matinal na Padaria Bel Pão, na Praça do Mercado, a quem dirijo sempre a minha palavra, desejando-lhe um bom dia, era eu ainda criança de nove, dez anos.   
Todo tempo só em ser-tempo é fim não começo. O tempo engendra a morte, e a morte gera os deuses e, plenos de esperança e medo, oficiamos rituais, inventamos palavras mágicas, criamos idéias esplendorosas, fazemos poemas, ridículos poemas que o vento mistura, confunde e dispersa no ar... O tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida – a verdadeira – em que basta um instante de versos e estrofes para nos dar a eternidade inteira, a infinitude plena, a efemeridade do re-nascer cheio de outras ilusões e verdades. Inteira, sim, porque essa vida eterna somente por si mesma é dividida, dividida entre as contingências e os ideais.  
Evidência de alegria final nos limites da condição, nitidez de posturas e gestos que re-nascem das cinzas das utopias de consciência e sabedoria. O nada inimaginável, a impensável destruição do absoluto que sei, do efêmero que desconheço, quem sabe conheça, não o saiba, simplesmente re-presente o fogo, as chamas do verbo “ser” nas imanências dos desejos, de minhas mãos que se elevam aos céus de todas as paisagens e panoramas curvelanas, rogando a plen-itude e subl-imidade do eterno “enquanto dure”, tendo mais bem sido, se o conhecer viesse primeiro que o saber de estrelas e paisagens que fecundam o espírito de outros amanhãs e outras noites, de outras madrugadas e alvoreceres, que inundam a alma de outras querências, de águas  iluminadas pelos raios do sol que nelas incidem, enquanto seguem o seu itinerário, abrindo espaços e caminhos, de outros arrebiques do belo em barrocas tardes de chuva fininha ou de sol incandescente, de outros confins e arribas a abrirem plen-amente as nuvens brancas dos desejos, azuis das esperanças, amarelas das utopias, verdes da fé, o que não é in-diferente e se me impõe como a única verdade que de mim irrompe, o que me afirma uma totalidade de ser, o que me coloca numa posição bem confortável de in-finitude e im-ortalidade, o que me define e é a própria realidade de ser sendo, estar-sendo, penso eu, é consciência de meus caminhos do campo e é busca de outros versos do sim e do não.
Os olhos sentem os instantes de tristeza: servem-lhe de modo profundo na atitude de vislumbramento e entre-visão. O sensual greta-se com o suave como para dar melhor acolhida à nobreza dos sentimentos. Na esteira da face, chega o tempo em que uma deliciosa quantidade de pitoresco afirma uma dis-fonia de re-toques ou uma fonia de dis-res de toques.  Encontro o sentido do amor e da amizade. Nenhuma forma de vida detém a totalidade mais tempo do que lhe é necessária para se dizer. Numa re-fração de ouro claro, surge o momento em que palpitam as asas de uma águia re-colhendo a sin-fonia de águas re-vestidas de silêncio.      
A face dos ventos arrasta e dispersa as nuvens, e faz sair um brilho nos olhos, que experimenta a vereda, que evoca com as asas ensopadas, com o rosto terrível coberto de uma barba pesada como a chuva, a água escorre de meus cabelos brancos, a névoa me cobre a fronte, desprendem umidade minhas asas e meu peito. Apresenta-se-me a olhos nus. Como o sensível vai ao encontro da intimidade do outro, como a intuição exterioriza-se no outro, como o emotivo penetra no outro. Tenho a sensação, muitas vezes, de estar a andar pela periferia curvelana, Alto do Tote, Passaginha, Vila de Lourdes, a tal ponto o ar luminoso e quente me cobre e lentamente me ergue, ergue-me aos hinos de esperança e fé no tempo de nosso ser será pedra angular de utopias cristãs. Mostrar-me a todos, inteirar-lhes de minha individualidade, manifestar-me inteiro, reconhecer as virtudes e valores. Perco-me numa des-organizada perseguição a coisas fugidias, a coisas etéreas, a coisas esfumaçadas.

Letras rugem a estranheza
 que faz desse corpo um corpo,
 de dentro dessa cela sem grades
 que encarnam a ênfase escondida
 sob sete chaves,
quando descem das idéias até o ventre
 e que se apagam
 quando tornam a subir
do ventre para as idéias.

Estivesse numa situação em que dissesse a mim, na superficialidade, a trapaça de encantos opostos, entender-me-iam, compreender-me-iam, justificar-me-iam, mas, na profundidade, a paz vem de cruzar fronteiras, de real-izar travessias, tudo é tão in-eficaz e in-essencial. A intimidade, desde que se fixe, não mais vive.
Ser não é ser? Ser é não-ser? Não há substância de pensamento na matéria de alma com que penso. Há tão pouca gente que ame as paisagens que não existem. Cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça. Estou sem mim neste instante de manhã singela, de manhã simples e terna,  o que há no corpo é uma dor dilacerante nas costas, fruto de minhas insatisfações e tristezas, saudades e melancolias de minha terra-natal, nostalgias de ser feliz no contato com o meu povo, agora que o sol está nascendo, estava bem frio, havia nuvens escuras no céu, até imaginei que fosse chover. 
A memória dos deuses se me desfez como forma de um refúgio, de um estilo de exílio, de uma linguagem de transcendência, imagino seja num subterrâneo ou caverna, ou nada imagino, em verdade; de uma justificativa, re-invento em mim o sonho de meu poder: criar. Vivo, lanço-me na procura de verdades, nesse mal ou cura do anti-ser a essas partículas, mínimas e miseráveis, a formarem o tudo. Desejaria, no momento, nem procurar explicação para a minha inquietude, são tantas, são vagas, são vazias, como a chuva, é matéria e vive.
Aliás, amigo, a própria plen-itude em alegria é comunicação de raízes, é diá-logo de sementes regadas com a água límpida de fontes puras e singelas,  é mon-ólogo de águas, nascidas além-montanhas, nascidas além-sertão, nascidas além-solidões-e-silêncios – sabemo-la dos breves momentos em que nos visita ou nos dá essa ilusão, que, antes, ilusoriamente, sugeria-me quimera, o mundo inicial da minha aparição, de minha brev-idade, de minha fin-itude. Sei que a plen-itude integra na sua origem um limiar de interrogações, a in-finitude comunga no seu ser a amargura profunda, a finitude adere os sentimentos nos liames das buscas e projetos - não é também uma aparição original?
Se o Destino é cruel, e a Vida, insana; se a Dor é a herança que nos irmana, porque não fazer dela a fé do Amor?  
Arauto do invisível avulta pela permanência o oratório que vibra a fibra adormecida, o meu temperamento romântico, e por que não dizer a impulsividade de acreditar que re-velo o espírito, quando deveria dizer que manifesto a alma, repleta de circunstâncias e situações, dores e sofrimentos, querências e desejos.  Acabo de retirar do fogo a mísera e formosa heroína de amores desgraçados.


Arauto do invisível avulta pela permanência
O oratório que vibra a fibra adormecida
Na plenitude da aparição, da brev-idade,
Nas origens, limiar de interrogações
Adere os sentimentos nos liames das buscas e projetos,
Diá-logo de sementes regadas com a água límpida
De fontes puras e singelas,
Monólogo de águas, nascidas além-montanhas,
Além-sertão, nascidas além-solidões-e-silêncios.

Hinos de fé e esperanças no tempo
- Encarnam a ênfase e as volúpias,
Inundam a alma de outras querências -,
de nosso ser serão pedra angular
de utopias cristãs,
Rogando a plen-itude e sublim-idade
Do eterno “enquanto dure”, 
O sensual greta-se com o suave
como para dar melhor acolhida
à nobreza dos sentimentos,
de outros arrebiques do belo em barrocas tardes
de chuva fininha ou de sol incandescente,
de outros confins e arribas a abrirem
lent-amente as nuvens brancas dos desejos.

Naufrago uma vez com o homem negligente, empenhado na sorte dramática dos pés feridos em panos velhos de linho, com a respiração alterada, e desde então é substituído pela imagem de angústia, pela perspectiva das tristezas, pelo ângulo das ilusões e idílios...
Não assisto ainda  à aparição de mim a mim próprio. Nunca penso a sós comigo, no silêncio? Estou vivo, sei-o e muito bem, eu, este vernáculo de sonhos que sinto presente, vernáculo que não se pensa, não se toca, é estranho e arrepia de alegria e me põe os olhos na eternidade, põe-me o coração nos uni-versos e horizontes da finitude. 
Como se uma árvore me acompanhasse, dialogasse comigo – árvore de grande copa, de desejo definido, curvada como para me saldar, parabenizar-me, com o seu amparo, o viajante da ressurreição.
Como se mãos possíveis me estendessem um tesouro, qual não seja o tesouro de olhos verdes, tesouro aberto para o prazer da alma e realização do espírito. Enigma suficiente para aproximar o amor; resultado capaz de fazer acordar a humanidade dos homens, humanismo dos indivíduos. 
É leve, ágil, inquieta – com um pouco de ingenuidade;  às vezes agressiva, mas dotada de espírito perspicaz, sinuoso, capacidade de reflexão e perquirições. Nisto posso entrever o retrato de mulher, se não convém falar também dos olhos, a imagem do tesouro, que, se são nítidos como os de Eva, após o pecado, se é que houve mesmo o antes dele, consigo pensar nestes olhos distantes. Olhando de certo modo, os risos ameaçam ou penetram os interstícios da consciência alheia. Estas ocasiões que são raras, mas não são duvidosas. A expressão é outra, meiga ou ingênua, e mais de juventude que de adulta, mais de mãe.
Irredutível e necessário absurdo clarão que sou eu iluminando o que está omisso, o que está en-velado e iluminando-me. O que sou não tem limites no puro ato de estar sendo, na singela atitude de estar buscando, na sublime volúpia de estar desejando, no efêmero êxtase de estar sentindo, vivendo, vivenciando o “ser” na continuidade do colorido das nuvens de mel. Não sei ser útil mesmo sentindo, ser quotidiano, transparente, ter um destino entre os homens, ter uma esperança-utopia a com-partilhar com os indivíduos que buscam e têm querências da unidade in-finita, da in-finitude do UNO. O que me vem? Peculiar ofício de artesão! Singular osso de artífice das letras! Se abro a palavra primeira que antecedeu o ofício, o que vejo nela dentro que me mostre o porquê de pensá-la, senti-la, quem sabe clame pela inspiração de ambas reunirem num abraço as bordas das ilusões e esquinas das fantasias aquilo por que tenho mais sede e fome de tornar real, o verbo de minhas intuições, o sonho de meus amores e verdades. A vida no crochet de cada dia, enquanto o pensamento costura o instante peculiar de gozo.
Jamais consegui ser nada. Brusca frase, sugerindo frase-de-efeito, que aos lábios vem, sem ser convidada, ao menos assim posso acreditar, poucochinho que seja, e assim mandam os figurinos, que tenha conseguido, num átimo de segundo apenas, quase que ininteligível de todo.
O olho interior – sem ele, não me seria possível ler nas entrelinhas de sentimentos e emoções, intuições, utopias, e, acima de tudo, o verbo amar, resgatar e recuperar no fundo da memória o que me falta para sentir fundo a VIDA – transforma tudo e con-fere a cada coisa o complemento da beleza que me falta para que ela seja em verdade digna de agradar, de ser apreciada, amada.
É também nessa fase, essencialmente voluptuosa e sensual, que se manifesta o amor pelas águas límpidas, correntes ou paradas, que se desenvolve de maneira surpreendente na embriaguez de alguns artistas. As águas fugidias, os jogos de água, as cascatas harmoniosas, a imensidão azul do mar, rolam, cantam, dormem, com uma beleza indizível.
A graça e suas seduções, a eloqüência e suas façanhas, todas essas idéias apresentam-se rapidamente como corretivos de uma feiúra indiscreta, mais tarde como consolos, finalmente como bajuladores perfeitos de um cetro imaginário.
Enquanto em civil caminhada, reflito e profetizo o futuro dessas terras curvelanas e mineiras, concluo: nunca de todos os sofrimentos e dores, de todas as angústias e tristezas, de todos os ideais de liberdade e amor, resultou brilhante porvir. Vivo noutras paragens longe da cidade-(pó)-ema, mas canto com versos sem rima verdadeiras e sensíveis as belezas do crepúsculo, os resplendores da aurora, os corações sedentos de amor e compaixão, amando com outros amores, com outros glóbulos nas veias. Sugo acordes de ópera, formulando outros hinos, outros tributos.
Alfim, não sem esforço, sem luta, sem buscas e projetos, sem querências e objetivos, acompanhado de muitos sofrimentos e dores, posso então acreditar que a mais leve carícia, ternura, a mais inocente de todas, um aperto de mão, por exemplo, pode ter um valor multiplicado e multíplice pelo estado atual da alma e dos sentidos e levá-los, quem sabe, e muito rapidamente, até essa síncope considerada pelo comum dos mortais como o summum da felicidade, re-conhecida pela espiritualidade das vivenciais labutas pelo ab-soluto de nossas origens mineiras e curvelanas. 
A plen-itude da vida atual inspira um orgulho desmedido. Voz em mim expressa interior, dizendo: “Tem você agora o direito de considerar-se como superior a todos os homens: ninguém sabe nem poderia entender tudo o que pensa e tudo o que sente”. Palavras gentis, sentimentos e emoções, ser e não-ser  ditos em tom suave que me fazem recuar um pouco, analisar o fundo de seus ensinamentos, o valor que dentro trazem em si, e nada posso dizer senão: “Tenho agora o direito de sentir profundo e buscar realizar o espírito em comunhão com o quotidiano de todas as ilusões, quimeras, sonhos que me habitam poeticamente, as utopias dos Templos e Cavernas da GÊNESE MINEIRA, CURVELO DENTRO”.
Fico muito surpreso ao ver grandes espaços desdobrarem-se na minha frente, do meu lado, por todos os lados; são rios límpidos e paisagens verdejantes mirando-se em águas tranqüilas. Levantando os olhos, vejo um pôr-do-sol semelhante a um metal em fusão que esfria.
A princípio, rio de minha ilusão; mas quanto mais olho, mais cont-emplo, mais vislumbro,  mais a magia aumenta, mais ela toma vida, transparência e despótica realidade.

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