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terça-feira, 24 de novembro de 2015

CORCOVADO DE ESPERANÇAS XIV PARTE – DESEJOS E ESPERANÇAS CORREM VEIAS - MANOEL FERREIRA NETO



Não sei se vós concordais, se endossaríeis com prazer e satisfação, enfim a visão-de-mundo minha é infinitamente menor que a vossa, pois que o vosso menino ainda está com os seus cinqüenta anos, muito pouco sabe das coisas do mundo, mas acredito eu que no sonho a emoção fala diretamente, de forma irracional ou sábia, mas sempre emoção; é ela que predomina, que guia.
Pensais, por exemplo, que está sendo uma emoção que guia essa missiva, a emoção da experiência e da vivência, a emoção do agradecimento e do reconhecimento por nossos diálogos haverem sido tão edificantes, a emoção de estar escrevendo uma missiva, o desejo que trazia em mim dentro da missiva à humanidade. A emoção guia essa missiva; não esqueceis de que se é guia tem de sê-lo de algo: a emoção, aqui, é guia do sonho e da esperança. Daí, podeis avaliar que essas palavras não são apenas agilidade e habilidade com as idéias e pensamentos. Estou vivendo isso na carne e nos ossos, na alma e no espírito, em mim inteiro, podendo dizer-vos com diplomacia que a aprendizagem está sendo deliciosa.
Dei um nome ao meu sofrimento. Rides, não é necessário nomeá-lo, ele é ele, sem nome, a identidade, personalidade e caráter são que o id-ent-ificam plenamente. São suscetíveis a quedas e embaraços. Contudo, nomeei o meu sofrimento: chamo-lhe “Luzeu”, é o meu cão... Posso nele mandar em um tom tirânico e descarregar todo o meu mau humor: assim como outros fazem com os seus cães, criados e mulheres.
Por que em certos minutos, quando digo algo, vós me pareceis que rides por não entender a que se refere a ironia, se não é a imagem de todas as coisas que comungam, reúnem, aderem, assim refere-se a tudo o que existe e que há. Há diferenças. É só consultardes a velha gramática. O que digo então com estas palavras? Ficaria aborrecido ter as respostas a todo instante, é ótimo procurar realizar as nossas  interpretações.
Águas e estrelas. Abro as portas de meu bosque verde e sombrio, desse bosque com cheiro de abismo onde corre água, cristalinas águas, e nalgum lugar, por que citar o nome, quem o conhece, não esquece jamais?, estas águas cristalinas descem de cascatas, nalguma gruta águas pingam de “estalactites que descem/estalactites que sobem”. Aqui, junto à janela, madrugada, três e meia da manhã, o ar é mais calmo, de onde imagino as águas seguindo o curso nos rios de todos os lugares, em todos os lugares do mundo, exceto no deserto onde não é lugar dela. Estrelas, estrelas,  águas correndo em rios.   
Luzeu acorda todas as madrugadas, por volta das três e meia; percebi por me levantar de quando em vez nesse horário, e ele começar a latir. Late por uns dez minutos, e depois volta a dormir. Talvez o faça para avisar alguns povos ser horário de se levantarem. Três e meia da manhã, oito e meia na Alemanha. Por que será que o meu cão acorda de madrugada e late todas as noites. Achais engraçado!... Até parece que quem late é o senhor, uiva, quando descobre a sua imperfeição. Mas é o cachorro que late. Posso garantir-vos a menos que consigais mostrar com provas reais, podendo entrar na investigação as evidências, que eu... bem, seria melhor colocar entre aspas para não ofender e humilhar os gramáticos, mais uma vez não é só o que está no dicionário ou na estrutura da língua que tem a dizer, mesmo assim, podeis provar que eu “lato”? Não podeis.
Que imagem, não – “águas correndo rios”. Vós podeis, quem sabe possais autorizar-me a dizer-vos que conheço as palavras, os sentimentos que se anunciam nelas, substituir águas e rios, por exemplo, pelas palavras “desejos e esperanças correm veias”, e estaríeis com toda a razão em dizer neste sentido e mensagem, pois que é justamente o que corre em vossas veias, desejos e esperanças. Mas imagino a poesia de tudo que está ao redor, próximo, distante do rio, animais de todas as espécies próprias da região, do país, a noite que segue a sua jornada rumo ao dia, e assim os devaneios, quimeras, ilusões e fantasias me povoam, habita-me a vontade de deixar-me-ser, e só aqui na solidão é perfeitamente possível isto realizar, e me sinto alegre, feliz, contente por estar desfrutando esses momentos.
Acaso já sentirdes profundamente isso de a noite caminhar rumo ao dia? Creio que sim e quanta vez vós vos angustiastes, desesperastes; contudo, pode brilhar ao nascer do dia, brilhar forte, e a luminosidade do brilho mergulhar nos corações mais carentes e sensíveis de reconhecimento e valorização, e justamente esses raios tornaram isso uma realidade palpável. É um sentimento esplendoroso esse de caminhar rumo ao dia, sugere a esperança e a certeza de que o sol brilhará de qualquer modo, e a sua luz conduzirá  a conquistas e valores que engrandecem. Não sei se diga que esquecerdes de avaliar as circunstâncias que ocasionaram tal esquecimento, de que o sol brilha para todos, ninguém ainda foi capaz de impedir o sol de brilhar. Assim o homem, assim vós...
Poderia registrar como vós ouvireis dizer eu “desejos e esperanças correm veias” que também é uma imagem esplendorosa, a poesia de “águas correndo rios” é muito maior, e é isso que penso ser muito importante para quem porventura ler, escrevemos inspirados na espiritualidade e na consciência-estética-ética. Fora ingênua e inocente na colocação do verbo, se houvesse dito “desejos e esperanças correndo veias” a imagem seria outra, e aí não haveria como escolher entre as duas, ambas teriam o que a-nunciar e re-velar.      
Substituiria eu essas palavras por outras para deixar mais clara a idéia que desejo e intenciono? Foram as palavras certas para expressarem o que dentro sentia em mim, diante da imagem que se me anunciou, eram estas palavras que definiriam e conceituariam, e isto é muito difícil, sabeis que já gastei alguns momentos para ter conseguido registrar isso com toda a diplomacia e seriedade que me são possíveis conforme a consciência-ética que busco regar nas minhas relações pessoais e profissionais,  apesar de que seja muitíssimo difícil se aproximar de mim. Vivo a minha própria vida, tenho as minhas coisas particulares e íntimas.
Referi-me haverem sido as defesas as responsáveis pela morte de minha irmã, sofrera com o primeiro Mario, muitas dificuldades pessoais e íntimas, armazenou suas defesas, ocasionando-lhe a doença. Dissera-lhe que o aconselhável era fazer um tratamento psicoterapêutico, eu próprio não podia fazê-lo, mas conhecia bons profissionais. Não acreditava nessas coisas, era o seu destino. Bem, aí vai depender da interpretação e entendimento de destino e saga. A defesa é a saga da família Salles. No que tange aos outros, não o sei, mas as minhas defesas se originam no medo de ser traído na confiança, felizmente ou infelizmente, não poderia dizer mesmo que quisesse, pois me não é sabido inda, tenho um sexto sentido para perceber a hipocrisia, farsa, falsidade impressionante. Acabo que tendo de estar sempre me defendendo.  
Ontem, à noite, Iliara Jasmine dissera-me que esta missiva está realmente profunda, o que mais encanta é a poesia que a habita, com certeza irei deixar a humanidade extasiada, sentido as águas de todo mundo correrem rios, e junto com elas, dir-se-ia no seu âmago, conforme minha senhora, a esperança, a fé, a busca das águas cristalinas, límpidas, os homens lutando para a paz, o papel de cada homem será vencer as forças do mal, e não derramar mais sangue em nossas terras, em nossos solos.
Estava ela muito feliz, estava me conhecendo um pouco melhor, há muitas coisas que intuía e percebia, mas não perguntava a respeito, não que receasse recusar-se a falar no assunto, mas esperava que me dissesse – sou um homem espiritualista. Outras coisas está descobrindo agora, a sensibilidade mais que aguçada, presente, forte, decisiva nas contribuições que lega às emoções, sentimentos, ao pensamento, idéia, intuição, percepção, audição...
- Meu mozinho, não diria que fosse um homem puro de coração, mas há tanta pureza nele, tantas coisas para doar... Fico muito feliz, agradecida – não, não precisa querer dizer algo -, sabendo que me ama tanto, você me conhece profundamente, nem eu havia pensado e sentido com tanta profundidade, quando diz de nossa intimidade, de nossos sonhos juntos, sermos um só ao longo de nossas v idas. Você não diz as coisas.   
- Tenho um amigo em Coriaçu do Norte que ama conversar e ao longo das palavras, identificando-se, por exemplo, “não sou um indivíduo que me exaspere com as coisas, estou com a corda no pescoço, sou mais discreto com tudo o que faço. Claro, procuro sempre agir de acordo com o coração e a razão”. Coisas assim que ele fala. Não sei o que acrescentaria, se me preocupasse em identificar-me nesse estilo e modo. Não sou de falar de mim.
Sonhara. Passando pela Academia das Belas Artes, vi-a aberta; entrei, pedi para ver alguns quadros. A simplicidade do pedido desviou a idéia de qualquer objeção. Demais, a comoção era visível, era um garoto ainda; era por força comoção de artista. Quando de lá saí, tinha o olhar alucinado, o pulso febril, o passo trêmulo. A vista das salas e dos      alunos       fascinava-me, revolvia-me todo. Vira com os olhos os quadros da Academia; com o espírito vi uma infinidade de obras-primas, e sobre todas elas uma que eu trazia em mim, inédita, virgem, à espera de ver o sol, de a saudarem os séculos. Essa obra-prima não era caricatura do fiel do cartório, menos ainda os traslados do escrivão. Vaguei longo tempo pelas ruas da cidade. Quando cansei, refleti no que me cumpria fazer para substituir a pena pelo pincel; e conclui que era pedir ao papai. Assim disposto, dirigi-me para casa onde entre alegre e saltitante como nunca me v iram na família. Entrei; fui ter com o livro misterioso, abri-o e contemplei com a alma toda. Essa história da pintura, entremeada de gravuras representando painéis célebres. As mulheres nuas que tanto me irritaram eram Venus e Bacantes, ali inseridas entre as Virgens de Corregio (Corregio (c. 1489-1534), pintor italiano do renascimento cujas inovações no tratamento do espaço e do movimento antecipam o estilo barroco. Entre suas obras, destacam-se Noli me tangere (c. 1525), Júpiter e eu (c.   1532), que expressam um êxtase espiritual semelhante ao das obras com uma temática religiosa) e Rafael. Fartei-me de contemplar as obras e reli a história de alguns pintores. A ambição não me falava na alma; não perguntava se o futuro me daria as palmas de Dominiquino e Rembrandt. Não; o que me pulava dentro era um painel que eu devia fazer, uma idéia, um sentimento, alguma coisa sublime que tinha necessidade de traduzir na tela e legar à imortalidade.
Logo que acordei descrevera o sonho para Iliara Jasmine. Não podia compreender como os meus sonhos, há uma dimensão artística enorme, era isso que podia captar, intuir – ficou na dúvida, se o primeiro ou o segundo era mais adequado para saber que havia algo a ser percebido neles de mais perto, digamos nesse sentido. Refletisse, a cena do sonho é uma Academia de Artes, atrás desse mato há coelhos – desse modo ela diz, quando sente que há mistérios ininteligíveis na alma humana, mas tenho a certeza de que com esta atitude mostrou o quanto deseja mergulhar-se em mim, sermos único.
Admiram-me a perspicácia e intuição comungadas em Iliara Jasmine, não sei se dissesse que não deveria haver sido veterinária e sim professora de Português e Literatura, mas o seu olhar no estilo e na linguagem é digno de reconhecimento, não sei como ela consegue mergulhar tanto na alma humana. Às vezes, brinco com ela, dizendo-lhe que esse seu dom de penetrar na alma humana é influência de alguém muito querido, ela sorri. Sei, mas não posso revelar, seria não a respeitar como merece. Sim. Mas ela conseguiu acolher e recolher os ensinamentos, desenvolvendo-os conforme ela mesma, suas circunstâncias e situações no mundo. É impressionante mesmo como ela consegue mergulhar na vida, mas nela eu confio plenamente em qualquer momento de minha vida, há amigos sim nessas mesmas circunstâncias. Não faço o jogo de ninguém. Não faço jogos.
Estávamos sentados num banco de mármore à porta de nossa casa, era crepúsculo. Ah, adoro o crepúsculo. Sugere-me tantas coisas, e em mim deixa a esperança de outro dia, o acordar ao lado de minha Iliara Jasmine, o meu trabalho na clínica, o dela, na loja de produtos de veterinária, os acontecimentos do dia a dia no quotidiano dos clientes, pacientes. Envelheceremos juntos e tão agarrados como sempre fôramos. Entrando em casa, estando eu em casa, sabendo disso devido ao fato de que coloco a chave da porta sobre a mesinha de centro, de vidro, na sala de entrada de nossa residência, e não vem ao escritório dar-me um beijo, sinto muito, e depois eu falo com ela: “Meu amor, faz-me muita falta o seu beijinho em todos os momentos que nos encontramos aqui, na sua loja, e eu sem poder dizer nada sobre os pacientes, disponho-me a trocar algumas palavras, sentimentos e desejos que nos habitam, às vezes no sofá-cama na sala de televisão, às vezes na varanda, por  vezes nalgum restaurante ou barzinho. Você entende!”.     
Quanto ao sonho que tivera com a Academia de Artes, perguntou-me se era possível que, escrevendo-vos a missiva, tivesse ele uma idéia, ou deveria dizer a mensagem de que deveria me preocupar mais ainda com a expressão das idéias comungadas às dimensões sensíveis, se soubesse trabalhar isso na missiva não a estaria transformando em uma academia de artes, ou seja, onde há a busca da sensibilidade e espiritualidade, há o Belo e a Beleza. Iríeis rir, não é verdade?, pois que parece uma lição a ser aprendida, a ser regada todo dia, o que não é isto, e daí tivestes de engolir o orgulho e a empáfia, estando aí pensativa desejando mergulhar no que realmente estou querendo expressar e estou usando de tanto subterfúgio... Concedo-vos, consinto-vos, se a faz feliz e saltitante, alguns refrões de músicas, versos de poetas românticos, sonâmbulos e insones se encontrando nos corredores além de todos os espelhos... Deixemos de cinismos, não diz respeito ao meu caráter e personalidade.
- Iliara Jasmine, por gentileza, diga-me como é que você adquiriu esse dom de perceber coisas profundas no que lê, ouve, olha. Algo literário. Tem bons conhecimentos de literatura. Como foi isso?
- Não foi. Sempre gostei muito de ler. Assim eu desenvolvi esse dom. Mas não escrevo. Sou péssima.
- Antes de conhecer-me, dias antes escrevera três poemas sobre haver intuído que o amor de sua vida estava chegando, sua vida iria modificar-se toda, só queria muito amor e carinho em sua vida comigo.
- Verdade.
- Então.
- Então, o quê?
- Por que parou de escrever poemas? Têm lá os seus charmes a linguagem e estilo.
- Ah, não... Não me conheço tanto para escrever as coisas. Com isso de conversar com a humanidade você desenvolveu intuição, percepção, visão, audição. A sua missiva é uma perfeita comprovação de seu estilo e linguagem, para quem não escreve senão o que tem de fazê-lo quanto aos pacientes, está esbanjando criatividade, intuição aguçadíssima. É preciso conhecer muito de nós para escrever alguma coisa. Você tem um conhecimento profundo de sua vida, de sua intimidade, dotado de uma clarividência aguçada, mas tem sede de mais conhecimento, mais conhecimento. Não poderia continuar, estava sendo falsa. Com a nossa vida juntos é que você contribuiu e muito com o meu crescimento, com amor,  carinho, ternura, dedicação, agradecimento. Não precisa nem perguntar, sabe que a resposta é e sempre será “Eu amo muito você, querido”.
Há aqueles momentos que mais gosto de conversar com ela, quando lê algum livro que já tenha eu lido, se não tive, procuro ler na primeira oportunidade, e começamos a discutir as idéias, ela tem uma intuição das coisas fantástica, capta certas nuanças psicológicas das personagens de um modo, diria, o genuíno do pomo.
As pessoas passam, conversam sobre isto e aquilo, o quotidiano de suas vidas... Creio que sentem ser um horário mais adequado para falar das coisas, do dia, seus afazeres, discórdias, ambições, medos, amor, decepção... É bem interessante observá-las passando, os esgares faciais são mais lívidos e serenos nesse horário; já me perguntei se assim o são, quando chegam a casa e os problemas de toda ordem nas relações com os outros, posturas, condutas éticas e morais muitas vezes desequilibrados, e como elas fazem para continuar caminho rumo a alguma coisa que não sabem o que é, não têm noção... E quanto desequilíbrio psíquico, emocional, racional, personalidades e caráter desvirtuados... Assim caminha a humanidade.   
Interessante é quando os imbecis estão reunidos, trocando imbecilidades e cretinices, rindo, satisfeitos com suas importâncias no mundo, o quanto contribuem com o crescimento e desenvolvimento de suas hipocrisias. Se se quiser conhecer seus vazios e abismos, não é necessária qualquer dificuldade, espremer os miolos, pois que nada há para conhecer.  
Os imbecis se reúnem em praças públicas, desejando atenções de todos, o que encontram são risos e olhares de esguelha. Sentem-se felizes, alegres, trocaram palavras que mais identificam o nada que vivem. Há os que mais conhecem de suas naturezas e condições de imbecis e precisam ensinar a todos.
Rides desde que iniciei a dizer isto da reunião de imbecis nas praças públicas, estou sendo cômico de tanto cinismo e ironia, sarcasmo, a imagem é realmente risível. Muito obrigado pela sinceridade, mas um pouco enviesada, pois não, pois que reconheceis alguns serem justamente assim como estou dizendo.
- Ilíade Adriano, por favor, deixe de fazer cócegas, meu filho...
- Ah, sim... Então admitis que também vós já estais precisando de destilar o ácido crítico nesses imbecis, não podem continuar ilesos por aí, enfatização, óbvio... Enfim, estou conversando séria e honestamente. Os risos fazem bem à alma.   
Desculpai-me  o lugar-comum que usei, mas não encontrei outro que definisse tão bem a idéia que me perpassou a alma em certos momentos que, no crepúsculo, olhava as pessoas passando. Creio que o sentido que nessas bem traçadas linhas estou a mostrar-vos, com todo esforço da sinceridade e seriedade de pensamentos, razão, coração, emoções, sentimentos, intuições, percepções é bem outro. Quero dizer que posso senti-las mais presentes em todos os conflitos que perpassam suas almas, posso sentir ainda que muito  escondido os desejos e vontades de superação de todos os traumas, dores, sofrimentos, viverem outra vida, encontrarem o amor verdadeiro, o que nos alimenta espiritualmente.
Sou daqueles psicólogos que fizeram a escolha de no consultório sim é o lugar de análise, terapia, fora, não há isso. Quero dizer: não fico pensando nas coisas que ouço de meus pacientes, procuro viver a minha vida, pensando e sentido outras coisas muito mais importantes que preocupação com isto ou aquilo no que tange aos pacientes. E quando tenho oportunidade de estar em casa, pelo menos umas duas vezes dedico-me a sentar na varanda e olhar os transeuntes passando, dá-me uma tranqüilidade, sabendo que há alguns que realmente estão lutando por se superarem, de viverem a vida, de se dedicarem ao que de fato desejam e querem de si mesmos. Alguns. O resto está perdido, não sei como conseguem não cair do trapézio sem rede embaixo.
Houve com quem eu estava preste a dizer algo que não iria gostar nem um pouco, estava com ele por um fio. Não sei o que me dissera num encontro nosso na padaria, tendo ido buscar o leite e ovos que encomendara com antecedência, e aí rasguei-lhe uma verborréia sem sentido na cara, e falava e falava e falava, as pessoas olhando, olhando-se mutuamente, risos, e comentários baixos, e quando terminei, ele simplesmente pediu licença e saiu, creio que esse jamais ousar dirigir-me a palavra, quando não o faço de modo algum. Comentara algo numa conversa com Iliara Jasmine que não gostei, chamei-lhe a atenção, não dera a mínima.                                                                                                    

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