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terça-feira, 24 de novembro de 2015

ANÁLISE CRÍTICA DA AMIGA E ORIENTADORA RITA HELENA AOS CAPÍTULOS XI, XII, XIII, XIV, XV DA TESE "O NADA E A ARTE LITERÁRIA"


O NADA E A ARTE LITERÁRIA XI,XII,XIII,XIV e XV
(Moreira Ferreira Neto)

Embora a ontologia (estudo do ser) esteja nos interditos dos textos ora apresentados, o autor não está a realizar um estudo ontológico , mas , sim, no exercício poético do Ser x O Nada , a partir dos silêncios da alma, do estado contemplativo que se insurge no pensar do Eu, enquanto o subjetivo existencial.
“Os instantes Superiores da Alma
Acontecem-lhe – na solidão –
Quando o amigo – e a ocasião Terrena
Se retiram para muito longe...” (Emily Dickinson, in Poemas e Cartas)
Tudo se revela a partir de seus silêncios: aflições, angústias, amenidades, sofrimentos atrozes, alegrias fugazes, tristezas de origem desconhecidas nas dores sentidas da existência.
O Eu poético baila entre o mergulho profundo de si mesmo, na metafísica do não pensar em nada: “Há metafísica bastante em não pensar em nada” (Alberto Caeiro), num encantamento do lirismo de seus escritos.
Tudo é metafísico porque tudo é lírico.
São infinitos instantes na busca da verdade da existência do Ser e do Nada. É nesse “enquanto” que o poeta se desloca no tempo. Para ele, passado, presente e futuro se fundem na imensidão da infinitude.
“Eterno é tudo aquilo que dura numa fração de segundos, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata” (Carlos Drummond de Andrade) 
Não há começo, meio e fim; pois, o instante lhe é pleno! Essa é a morada do Eu e do Nada, no silêncio cósmico, metafísico, lírico... ,no exercício do autoconhecimento.
O Silêncio é a música do poeta; O Nada , sua solidão, a Poesia é a sua arte.
“...os silêncios são parte da conversa. O silêncio é uma outa maneira da palavra viver e há coisas que não podem ser ditas de outra maneira” (Mia Couto)
“...Tudo acaba em silêncio e poesia” (Fernando Pessoa)

Rita Helena Neves.

Em primeira instância, os sinceros cumprimentos à percuciência de sua análise crítica das Partes da Tese. De excelência mesmo. Mostra com trans-parência os seus profundos conhecimentos de Filosofia, Crítica Literária, a sensibilidade sua em mergulhar na obra retirando-a de dentro, trans-parecendo-a, tornando-a nítida e cristalina. 
Como, de início, você tão bem realiza a eidética da tese: "... a partir dos silêncios da alma, do estado contemplativo que se insurge no pensar do Eu, enquanto o subjetivo existencial.", mister endossar, dizendo que a intenção sine qua non é discutir o "eu" poético, através dos silêncios da alma. Isto porque a obra é lírica, e por ser lírica é metafísica.
Em nossa conversa de ontem, estávamos falando justamente do "eu lírico", sendo importantíssima a análise metafísica para o aprofundamento do estudo da poesia. Se a análise fosse ontológica, considerando a ontologia heideggeriana, as teorias, as teses eximiriam o lirismo de minha obra, mas a metafísica não, porque ela mergulha profundo no lirismo, por ser ela dimensão lírica.
Muitíssimo profunda a sua análise, quando diz que "O eu poético baila entre o mergulho profundo em si mesmo, na metafísica do não pensar em nada" Este mergulho profundo em si mesmo atinge a sensibilidade, o sensível, é o sensível e a sensibilidade que trazem à baila o "eu poético", o trazê-lo esclarecido, transparente, nítido. Se houvesse o pensamento, a análise ontológica, o "eu poético" seria por inteiro eximido. O mais importante na tese é justamente a análise metafísica do "eu poético" em todas as dimensões da contingência, sofrimentos, angústias, aflições, tristezas, e como estas dimensões se pres-ent-ificam na obra originando o lirismo. 
"São infinitos instantes na busca da verdade da existência do Ser e do Nada." A busca da verdade da existência do Ser e do Nada se faz através das experiências, vivências, através da con-templação do Tempo, não em termos do passado, presente, futuro, mas através da imensidão da finitude, porque as dimensês passado, presente, futuro se fundem nesta imensidão, e nessa con-templação ad-vém o In-finito, no In-finito o Silêncio é pedra angular para mergulhar mais profundo no "eu poético", na "lírica da metafísica". "... no silêncio cósmico, metafísico, lírico... ,no exercício do autoconhecimento." moram o Ser e o Nada, são-lhes os eidos, e mergulhando nesta moradia é que atingimos a plen-itude, que é o florar na própria floração da verdade, a Verdade se estende em todas as dimensões, não se ab-solutiza. 
O silêncio é a minha música, valendo ressaltar e sublinhar que em 2000 publiquei o meu segundo livro, uma novela, intitulada Ópera do Silêncio, em cujo edios a música está presente, a ópera, ópera dos sofrimentos, das dores, das aflições, das angustias, e desde esta novela venho aprofundando os meus conhecimentos do Silêncio, venho auscultando-lhe, ouvindo-lhe no mais recôndito de mim. O nada é a minha solidão sim, pois que o nada impulsiona as buscas do "eu", do "eu lírico", da identidade no tempo à busca do Ser. A poesia é a minha Arte, pois que criando, re-criando, inventando, re-inventando, compondo as líricas vou buscando a Verdade, vou buscando o Ser, caminho sem fim, meio, princípio, caminho que só tem a estrada para a frente, e a frente significando que é a caminhada que faz o caminho. 
Toda essa análise crítica que você acaba de real-izar é a minha obra na sua profundidade. Este é o papel do crítico, trazer à baila o in-ter-dito da obra, do autor.
Dentro dessa análise crítica que você, Rita Helena, acaba de realizar, escreverei a última Parte do Capítulo IV. No Capítulo V, tratarei do INFRA-SILÊNCIO, aliás já escrevi textos literários a respeito.
Um grande abraço!!!

Manoel Ferreira Neto.

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