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terça-feira, 24 de novembro de 2015

AD PERPETUAM REI MEMORIAM Caríssimo Sílvio Gabriel Diniz



No meu entender, caríssimo Sílvio Gabriel Diniz – o leitor ficará, com efeito, estupidificado com isto de dirigir-me a você assim, pois que não o conheci, já é falecido, é a primeira vez que leio as suas letras, João Duarte doou-me seu livrinho exatamente no dia 20 de fevereiro de 2009, embora já tenha ouvido de você, de seus livros, mas conheço a família inteira de seu irmão Dr. Newton Gabriel Diniz, quem, aliás, sempre que passava à porta do Açougue Esperança, estava eu com oito anos, com sua pasta e alguns livros de Direito em mão, residindo três ou quatro casas depois, cumprimentava-me, o que me deixava orgulhoso, e, respondendo-lhe ao cumprimento, dizia-me em silêncio: “Um dia serei intelectual, um homem culto como Dr. Newton Gabriel Diniz”; não vejo, contudo, motivo ou razão para tamanha estupidificação: o verdadeiro escritor é quem nos encanta tanto que o desejo profundo é procurar-lhe para troca de dedos de prosa, não importando se esteja vivo ou falecido, você já é falecido, nada impede de conversarmos um pouco, contingência e espiritualidade se aderem -, a temperatura jornalística de nossa terra curvelana está abaixo de zero, menor que o “salário” do nosso artista-cômico brasileiro Chico Anísio.  
Confesso-lhe, em verdade, não haver sabido, até então, que a Imprensa curvelana data do ano de 1890. Faz apenas quatro anos que me interessei pelo conhecimento da cultura e das artes nossas, e, devido a este interesse, comecei de escrever criticas literárias a respeito de nossos escritores atuais. Isto porque o escritor russo Dostoiévski, meu segundo mestre, colocara-me um diamante em mão: “Se você não conhece a cultura e as artes de sua terra natal, que espécie de escritor você é? Se você não tem raízes, jamais poderá ser considerado ou considerar-se escritor”. Comecei esta empreitada no ano de 2005 nos tablóides Centro de Minas e E agora? Tornei-me independente em 2008, aos 06 de junho, quanto fundei o primeiro Suplemento Literário de Curvelo, Razão In-versa, pioneiro em nossas terras curvelanas. Com exceção de três escritores a quem reconheço os méritos e virtudes literárias, Marcos Antônio Alvarenga, barranqueiro do Rio das Velhas, pequeno produtor rural, Antônio Nilzo Duarte, ex-empresário, filho de Thomaz Duarte, memorialista, Paulo César Carneiro Lopes, professor, doutor em Literatura, escritor, filho de Dr. Ulisses Lopes, em termos de poesia, a jovem Ludmila Paixão, que, aliás, foi Razão In-versa que revelou em suas páginas, este clima quente curvelano, que tanto aquece as inteligências e imaginações, e faz brotar poetas, quase como faz brotar as flores, por um fenômeno, aliás explicável, torna preguiçosos os espíritos, e nulo, de ângulo obtuso, o movimento intelectual. Os livros que aparecem são raros, distanciados, nem sempre dignos de exame da crítica.
Caríssimo amigo e escritor, é óbvio que você era consciente de que a função do poeta é sonhar, é instituir idílios e quimeras, é construir fantasias, é despertar no homem a espiritualidade; a função do escritor é agir, atuar, é formar opiniões, é trabalhar para as mudanças individuais, sociais, morais e éticas, filosóficas, teológicas, religiosas.  Diz você em Academia de letras: “Já é tempo de Curvelo instalar a sua Academia de Letras”. Admiro-lhe o sonho, fosse você vivo dir-lhe-ia com todas as letras e vírgulas: “Curvelo está urgentemente necessitado de homens como você, de homens que sabem sonhar e pensar alto”. Vejamos. A Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, na época deste capítulo de seu “livrinho” Curvelo meu Curvelo, “... estava na ponta. Suas reuniões são animadíssimas e concorridas. E ela abriga lídimos valores das letras, das ciências e das artes mineiras. No dizer de um cronista, ela “renovou e renova a estrutura acadêmica de maneira verdadeiramente pioneira”.
Neste capítulo do seu livrinho, você elabora seis itens de de-monstração do que é verdadeiramente uma academia, quais sejam:
a.  Reunião dos valores culturais e literários;
b.  Difusão de obras literárias e monumentos artísticos;
c.  Cultura do vernáculo e da literatura nacional;
d.  Publicação de uma revista literária;
e.  Incentivo à mocidade estudiosa ao culto da História local e geral;
f.    Apoio e incentivo a todo movimento tendente a melhorar o estado cultural e social da região.
Em verdade, não sei quando a nossa Academia Curvelana de Letras foi fundada – creio que, aquando deste capítulo de seu livrinho, ainda não havia sido fundada. Está fundada há alguns anos. Mas o seu sonho de Academia, verdadeira Academia, não se realizou, está distante de ser Academia. Se você escreve um livro de piadas picantes, é reconhecido por ela como escritor, é empossado. Se você é personalidade política, social, é empossado. Se você tiver dinheiro, é empossado. Se você patrocina, isto é, paga edição de livro de membro é empossado como “membro honorário”, não importando o caráter e personalidade viperinos. Se você escreve livro contando suas relações matrimoniais, pessoais, sua vida de empresário, suas aventuras de jovem, é considerado escritor, de imediato é empossado, se você é fazendeiro, possui um sem-número de gado no pasto, escreve um “livro de bois”, é considerado escritor. Além disso, se você plagia autores, escrevendo obras de trás para frente, para enganar “trouxas” é considerado escritor, e, em nossa Curvelo, existem três plagiadores, dentre eles, uma que  só entrou na Academia depois de ganhar prêmio de Concurso, a banca examinadora conhecia o poema que fora plagiado, mesmo assim dera o prêmio. Na Academia Curvelana de Letras não existem escritores, existem somente políticos, dos mais arbitrários e gratuitos, homens da imprensa que só olham para o próprio umbigo. Nas cadeiras de escritores universais e imortais, sentam-se quem jamais escreveu ou escreverá bilhete em botequim copo sujo. A Academia Curvelana de Letras é um verdadeiro acinte à cultura e às artes curvelanas, ao brio humano e humanitário.
Fui convidado para ser membro deste “acinte à cultura e às artes” em 2000. Recusei exatamente por isto, por lá não existirem escritores, somente “oportunistas da imortalidade”, os famosos “oi”, não sou esteio de casa sem paredes e teto. Fui eu o primeiro escritor que recusara tal convite na História da Literatura Curvelana. Depois de mim, vieram dois, acredito que três, não podendo afirmar sobre o terceiro, pois que lhe não perguntei a respeito – acredito que não tenha sido, devido às suas origens simples, humildes, espirituais, humanas, éticas, morais; não tem ninguém lá com estes valores e virtudes cristãos e humanos. Sou persona non grata para a Academia Curvelana de Letras, mas para os meus leitores sou escritor, isso é o que importa. No que concerne a mim, sou considerado inimigo, quanto aos outros a diplomacia se faz presente.
Qual o remédio para este mal que assoberba as artes e a cultura curvelanas, este mal de que só podem triunfar as vocações enérgicas, incisivas, e ao qual tantos talentos sucumbem sem direito a única piscadela? O remédio, caríssimo Sílvio Gabriel Diniz, estou tentando demonstrar-lhe nesta missiva contingente-espiritual que lhe envio: o remédio é a crítica, ter a cor-agem de dizer as coisas, de ser sincero, de não tergiversar ou adulterar as coisas, dizê-las verdadeiramente, doa a quem doer. Desde que entre o leitor e o poeta, entre o leitor e o escritor, entre o leitor e o filósofo, entre o leitor e o intelectual, aparecer a reflexão madura da crítica, encarregada de aprofundar as concepções do poeta, do escritor, para comunicá-las ao espírito do leitor; desde que uma crítica conscienciosa e artista guiar a um tempo, a musa no seu trabalho, e o leitor na sua escolha, a opinião começará a formar-se, e o amor das letras virá naturalmente com a opinião. Nesse dia, os cometimentos ilegítimos não serão tão fáceis; as obras medíocres, sejam noturnas ou dançarinas, sejam espirituais, pessoais, individuais, não poderão resistir por muito tempo; o poeta, ao invés de acompanhar o gosto mal formado, o escritor, ao invés de endossar as consciências viperinas, olhará mais seriamente para sua arte; a arte não será uma fuga, uma justificativa, um entretenimento mesquinho e medíocre, a realização dos orgulhos e empáfias mil, a oportunidade de esconder os fracassos e frustrações da vida que não dera em nada, tais homens passaram como os pássaros no ar, sem deixarem vestígios; a arte será evangelização, espiritualidade, socialidade, sociabilidade, contingência, sonho, quimera, fantasia, será VIDA, será EX-SISTENCIA, será profissão, alta, séria, nobre, guiada por vivos estímulos; finalmente, o que é hoje exceção, será amanhã uma regra geral  
Daí é que nasce o meu árduo trabalho de fazer re-nascer a nossa Literatura em Curvelo, as nossas artes, o nosso patrimônio cultural. O meu objetivo primordial e essencial é reconhecer os verdadeiros valores de nossas artes. E Curvelo, Sílvio, é privilegiado no sentido da sensibilidade artística, temos verdadeiros artistas em nossas terras. Mas depois de mim os “oportunistas da imortalidade” não terão qualquer chance de realizar o sonho da farsa e da falsidade, ficarem na cultura curvelana. Sou escritor, Deus legou-me não apenas dons e talentos, legou-me uma missão, que, custe o que custar, realizarei, luto pela dignidade das artes em nossa terra. Já escrevi vários artigos mostrando o que a Academia Curvelana de Letras significa em Curvelo, ou seja, “nada de ângulo obtuso”. Dentre eles, Covil de Gênios, O Anticristo.
Muito dificilmente Sílvio, encontramos poemas, trovas, textos de escritores em nossos tablóides. Você não sabe a dificuldade que é os editores publicarem literatura. Para mim, foi a maior dificuldade, precisei quase rogar, ajoelhar-me, pedir pelo amor de Deus, mendigar uma coluna para escrever os meus textos. Quando não era a questão de espaço, era a exigência de escrever na linguagem do povo. Para os editores, ser escritor é atender às exigências fúteis e medíocres do povo, não escrevo para o povo, faço-o para a elite cultural e intelectual. Alguns chegaram a dizer não ver qualquer sentido de publicar Literatura em tablóides, o povo não dá atenção “para estas coisas” – veja bem, “para estas coisas”!, isto mostra o nível cultural que lhes habita o espírito e a alma. Durante nove anos, foi grande a luta para continuar escrevendo. Digo-lhe isto, fundamentado nas suas palavras em Vox Populi: “No meu Curvelo, cantavam-se, ainda se cantam trovas populares. Em sua maioria elas não são típicas do povo curvelano. Pertencem ao cancioneiro geral. Correm de região a região, assumindo não raro variantes locais”.
Antigamente, em nossa terra curvelana havia cultura, havia artes, havia literatura, havia teatro, havia seresta; hoje, tudo está esquecido, tudo está relegado a quinto plano. A quem devemos atribuir a responsabilidade de a temperatura intelectual de nossa Curvelo estar abaixo de zero, menor que o “salário” do artista-cômico Chico Anísio? Aos tempos que são outros, aos interesses hoje serem apenas materiais, objetivos? Também isso, mas em primeira instância, acima de qualquer outra, é da política que não dá incentivos à cultura. Só na gestão do Prefeito Maurílio Soares Guimarães, de quem sou amigo pessoal e íntimo,  duas gestões, em verdade, consecutivas, disseram-me ele e João Comunitário: “O poder público deve-se aliar à cultura e às artes, pois nós vamos e a cultura fica”.
Quanta vez ouvi e também o disse que Curvelo jamais dera qualquer atenção à cultura, às artes, embora tenhamos personalidades artísticas e culturais, somos uma terra privilegiada neste sentido. Em verdade, lendo sua obra Curvelo meu Curvelo conscientizei-me de que não, no passado tivemos cultura, tivemos artes, tivemos patrimônio cultural e artístico. A quem devemos atribuir a responsabilidade de tudo isto haver sido perdido na história? Em primeira instância, devemos responsabilizar aos tablóides que acabaram com a cultura, com as artes curvelanas, tornaram-se ideológicos e interesseiros. Também devemos atribuir isso ao sistema de ensino: enquanto estudante desde o primário até o científico, jamais ouvi qualquer professor de Literatura, com exceção da professora Vilma Simões, casada com o meu primo de segundo grau Rodolfo Simões, no curso de Magistério, Instituto Santo Antônio, falar de alguns escritores e poetas nossos. O restante só falava em Carlos Drummond de Andrade, Mário Palmério, Raquel de Queiroz..., que, aliás, detesto, devido à fixação do ensino destas obras, nas características mais que retrógradas dos períodos literários. Claro, alguns falavam e mandavam sempre ler Machado de Assis, mas o que ensinavam estava muito longe do pensamento machadiano, eles mesmos não sabiam bulhufas a respeito dele. Sempre amei e sempre vou amar Machado de Assis, foi o meu primeiro mestre, continua sendo. Para me salvar da alienação, comecei de ler os escritores da Literatura Universal.   
Em termos do teatro, foram encenadas as peças HONRA DO TAVERNEIRO (drama em 3 atos), a MÁSCARA NEGRA, a ESCRAVA ANDREA e outras peças famosas, que você se esqueceu de indicar os autores, o elenco. Um cronista da época, conforme você me diz, escreveu: “Em nosso centro, o teatro é uma bela escola de moral, e não se pode comparar com as bacanais horríveis dos lugares populosos. Não”. (Município do Curvelo” – dezembro de 1897). Os tablóides servem aos interesses e ideologias políticas, sociais, individuais, ao próprio bolso. Os livros que surgem, como já lhe dissera, não são dignos de exame da crítica. Passamos no mundo como os pássaros no céu, sem deixarmos vestígios.
Lendo “... a Imprensa curvelana vem prestando inestimáveis serviços ao progresso local. E tem revelado valores jornalísticos de alto coturno”, de “Gatos” Gaiatos, quase tive um surto de melancolia, nostalgia, o desejo incólume foi de haver vivido naqueles tempos, ler os periódicos, conhecer a cultura e as artes, hábitos, comportamentos, princípios éticos e morais, religiosos, espirituais. Diz-me você que “o jornalismo sempre se qualificou pela sua elevada capacidade de bem servir a coletividade”. Dia antes de receber o presente de João Duarte o seu “livrinho” Curvelo meu Curvelo, estive no escritório de advocacia de seu sobrinho Dr. Maurício Gabriel Diniz, quando conversávamos sobre a Imprensa de nossos dias atuais, o único objetivo da Imprensa hoje é o sensacionalismo, crimes, corrupções, política chinfrim, desastres, colunas sociais ridículas, notícias sem qualquer fundamentação, isto para que os resultados financeiros sejam rechonchudos, o “povão” gosta destas coisas. Falou-me do acervo de jornais curvelanos que o seu falecido pai, Dr. Newton Gabriel Diniz, a quem ama de paixão, deixara-lhe como herança. Permitia aos estudantes fazerem pesquisas em seu escritório, os estudantes tinham o desrespeito de arrancar as folhas. Aborrecido com isto, o que fez? Doou para a Faculdade de Curvelo. Dizendo-lhe eu: “Seu acervo está em lugar adequado”.
Após o quase surto de melancolia e nostalgia, não pude furtar-me às gargalhadas altissonantes, dizendo-me: “Antigamente existia Imprensa em Curvelo, hoje não existe mais; existem papéis sem qualquer importância social e humana”. Hoje, os tablóides têm a soberana capacidade de mal servir a coletividade: exemplo maior disso é estampar na primeira página, Manchete, o cadáver de um estuprador, executado pela polícia.  A edição esgotou-se em tempo recorde.   
Meu Deus, caríssimo Sílvio Gabriel Diniz, é coisa realmente desagradável você tomar em mão, seja tablóide, revista, livro, e deparar-se com erros de toda espécie. Particularmente, eu detesto. Não vou adiante. Quando meu “querido” Antônio Nilzo Duarte doou-me seus dous primeiros livros, quase desisti de continuar a ler, devido aos erros de toda espécie, mas os seus dons artísticos, as mensagens profundas, a espiritualidade nele existente, convenceram-me a continuar, e com eles cresci espiritual e humanamente. Quando meu “querido” amigo-e-compadre Paulo César Carneiro Lopes me procurou para ler seu Sonho do Verbo Amar, perguntei-lhe de imediato: “Não tem muitos erros na obra; caso contrário, digo-lhe já: não vou ler”.  Largo-os com prazer. Para lançar o meu Suplemento Literário Razão In-versa, leio e reviso centenas de vezes, por que penso o leitor merece consideração, respeito, enfim não sou quem faz o Suplemento, é o leitor. Você não acreditaria se lhe dissesse que diretor de tablóide chegou a dizer que quem menos “apita” no tablóide é o leitor, não importa se existem erros de toda espécie, enfim o povo não sabe nada disso. Absurdo, não?  Não aconteceu em nossas terras curvelanas, sim nas diamantinenses: certa vez fui ler um tablóide de oito páginas, tive o trabalho de sublinhar todos os erros, sejam gramaticais, estilísticos, ortográficos, somaram-se setenta e oito erros. Dissera ao editor: “Você precisa respeitar os leitores. Setenta e oito erros de toda espécie em um tablóide de oito páginas é realmente absurdo”. Respondeu-me: “Por que, ao invés de criticar, você não contribui?”. Respondi-lhe: “Quanto irá pagar-me por isso?”. “Nada”, respondera-me.
Dissera-lhe haver colaborado por nove anos para alguns tablóides curvelanos. Tinha a minha coluna de Cultura. Em 2008, setembro, comecei de ser “copy-desk” do tablóide, revisando-o de fio a pavio. Por ter a coluna, o editor não me pagava um simples vintém: “Você tem a coluna, o copy-desk é para compensar o valor da coluna. Aqui todo mundo tem que trabalhar”. O tablóide cresceu com a minha participação. Tornando-me independente com Razão In-versa, deixei o trabalho de copy-desk. Meses depois, o diretor pediu-me que continuasse a publicar meus textos na coluna Cultura - servindo-se de amigo meu, isto é, seria ele capaz de persuadir-me e convencer-me -, voltasse a fazer o copy-desk. Quanto a escrever, impossível; não iria mesmo tirar os méritos de meu Suplemento. Quanto ao copy-desk, fá-lo-ia, mas haveria um preço, estipulei-o: “Vamos deixar isto para depois. O tablóide agora está no vermelho”. Quer dizer: além de todas as arbitrariedades sensacionalistas dos tablóides, ainda são exploradores.  “Então, não faço copy-desk. Sucesso faz preço. Não pode pagar. Fica sem revisão”.   
Sílvio, só uma vez em minha vida tirei o meu chapéu, e com toda a soberania, e todos os vasconços dela mesma, reconheci um valor, reconheci o valor e mérito, sensibilidade, dons e talentos artísticos de alguém, era ele mais novo que eu nove anos, tirei o meu chapéu para Paulo César Carneiro Lopes. Hoje, tiramos os nossos chapéus reciprocamente, tanto com ele quanto com Ângelo Antônio, e nos sentimos felizes e realizados.
Diz-me você que em Curvelo usar chapéu “era moda”. “Todo mundo usava chapéus em Curvelo, desde  os meninos aos vovôs. Fazia parte do bem vestir. E, por anos e anos, perdurou o costume. // Nas velhas fotografias do Curvelo, como por exemplo a da chegada do primeiro lastro da Central do Brasil, a 29 de junho de 1904, podem ser vistos os homens, de todas as idades, com o infalível chapéu na cabeça... e a bengala. Nessa fotografia histórica, bem examinada com o auxílio de lupa, não se descobre nenhum barbado ou imberbe sem o chapéu. Algumas pessoas portavam chapéu alto, que lhes assinalavam, a alta posição social. // Eram de lebre. De palha, não. Deviam de ser dos fabricados no Curvelo. Havia uma fabrica deles, muito próspera e bem montada”.  
Diz-se sobre o “tirar o chapéu” para alguém, quando ele realmente, de fato e direito, mostra os seus valores superiores, valores que nos ensinam não somente os níveis intelectuais, sociais, humanos, sociais, mas também éticos, morais, quando são superiores aos nossos objetivos, projetos, quando suas inteligências e intelectualidades superam as nossas, quando suas Vidas têm muito a nos ensinar, educar, preparar para os dias e situações vindouros. Nestes termos, com a leitura de sua obra, seu “livrinho”, para quem vou tirar o meu chapéu, que, aliás, muito pouco uso, somente em viagens a Curvelo, ou quando o sol diamantinense está muito quente, e preciso preservar a minha calvície, que tanto amo, dos raios solares?
Com efeito, não tiro o meu chapéu para a Imprensa Curvelana atual; tiro-o à moda francesa, para a Imprensa do passado, para os grandes hebdomadários, tablóides, jornais e jornaizinhos, tiro-o para o teatro de nossa “velha” Curvelo, tiro-o para os poetas e escritores do passado, tiro-o para os seresteiros de antigamente, tiro-o para o Euterpe, tiro-o para a Cultura e as Artes do Passado. Não o tiro para os poetas e escritores atuais, senão para os que já citei acima, a quem amo de paixão e desejo todas as realizações, todas as felicidades, pois sei que são homens de valores eternos, de sensibilidade imortal, cujos interesses outros não são senão a busca do Olimpo de nossa Curvelo, e sei que continuarão por todo o sempre desejando a nossa glória artística e humanística curvelana.   Estou, então, sem chapéu? Não, em absoluto que não. Tiro-o para você, que, com este livrinho, em princípio simples, humilde, mas com uma sensibilidade enorme, sensibilidade de um intelectual, um homem culto, humano, humanista, humanitário, contribuiu e continuará contribuindo para a minha consciência, pois que pretendo continuar lendo até ao fim de meus dias, homem que fundamentou ainda mais, com sua sensibilidade, intuição, percepção, inteligência, os meus desejos de Cultura e Arte, de engrandecimento e desenvolvimento de nossa VIDA curvelana. Tiro o meu chapéu para Marcos Antônio Alvarenga, Antônio Nilzo Duarte, Paulo César Carneiro Lopes, Ângelo Antônio, Ludmila Paixão. Acima de todos, tiro o meu chapéu para a poetisa Marize Lemos Silva, minha esposa, que, com sua arte poética, tem contribuído muito com a nossa arte curvelana, a nossa mais nova curvelana, não por ser casada comigo, mas porque encarna todos os nossos ideais de sensibilidade, espiritualidade, inteligência. Tiro o chapéu para a vida, para as artes verdadeiras. E, com certeza, no futuro distante ou próximo, todas as arbitrariedades serão esquecidas, seremos os curvelanos indivíduos e cidadãos conscientes de nossos valores, que os tempos de agora estão desejando ser esquecidos.
Ite, missa esta!...       





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