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terça-feira, 24 de novembro de 2015

A PROPÓSITO DE *SOL DOCE SOL"/CHUVA DOCE CHUVA, DE LUCIANA BIANCHINI - UMA LEITURA DO AMOR*


A metáfora do "Amor". O ser amado é o sol, seus raios numinosos resplandecem no íntimo, regam o verbo amar, regam de desejos e vontades da alegria, regam de esperanças, regam de ilusões e fantasias. O ser amado era esperado nos sonhos, a sua cintilância, a sua numinosidade, o objeto sensível que mudaria toda a vida de quem ama, com ele numinando o mais recôndito do inconsciente, onde se achavam guardados sentimentos que só viriam à luz, quando o sol nele penetrasse, mergulhasse, adentrasse, outro ser re-nasceria com a sua presença, o renascimento do outro que tornaria a vida Amor puro, Amor genuíno, Amor singelo, Amor, senda e vereda da alegria e felicidade. E este sol entra na alma, no inconsciente de quem ama, e quem ama sente toda a sua espiritualidade, sente toda a sua força, o passado passou, é pretérito, agora a alma é presente, é a-núncio de um grande amor, é revelação de uma verdade de sentimentos plenos, uma promessa de outros alvoreceres, é uma entrega ao verbo do sonho amar. Mas também há a chuva - são dois poemas conotando a espiritualidade, a metáfora do ser. A chuva não é metáfora de nostalgia, melancolia, não são dores e sofrimentos vividos e vivenciados de um amor não correspondido, de um amor-ilusão, amor-fantasia, não é o impossível acreditado possível. A chuva é o complemento deste amor, as suas duas faces refletidas no espelho do tempo. O amor re-colhe o sol para re-dimensionar a sua essência, dar-lhe a luz do verbo para iluminar os caminhos da vida, para numinar as esperanças e os sonhos do outro, do eu, do "nós", para que nas sendas e veredas da vida ele revele a sua verdade, a sua dimensão espiritual. O amor a-colhe a chuva para regar os sonhos perdidos, os desejos não vividos, assim regados re-nascem, tornam-se outros. "... é entre meu sol e minha chuva que descanso...", entre o sol e a chuva a vivência da vida, entre o sol e a chuva a experiência do amor sincero e verdadeiro. Nos tempos de dor, a chuva refrescou. Sol e chuva se completam, são sínteses.

SOL DOCE SOL

Doce sim! É assim, meu doce sol.
Aqui não existe solidão.
Eu o seguia, mais entre minhas
nuvens e o meu colorido, ele 
logo percebia. Era um astro do céu,
se escondia, mais só eu o via.
Um sol tão doce, que me tirava do
chão, mais tudo tinha sua razão.
Não estava alí por acaso. Vinha
ao meu encontro e no meu sonho,
se misturava, e com sua doçura,
me alegrava. Faço a ti um pedido
meu sol, quando a minha chuva
chegar, deixa ela passar, pois ela
também, tem tudo haver com este
lugar. Vejo verdes por todos os
lados, ando pela mata e vejo o meu
frescor dos grandes lagos, pois 
andamos sempre lado a lado.
Meu astro e doce sol, escreveste,
meu escrever, exatamente como
deveria ser.

CHUVA DOCE CHUVA

Doce sim! É assim minha doce chuva

Eu seguia tuas águas e pelas pedras,
se deitavam e junto com o meu doce
sol, se fazia em abundância, sua linda
elegância. Subiram e desciam, era a 
força do céu que até mim os traziam.
Eu andava por elas, eram coloridas e com
sutileza, me fazia por elas flutuar.
Não me canso, pois é entre meu sol
e minha chuva, que descanso.
Vinham sobre mim, como gotículas, 
e se apossaram de mim como 
partículas. As vezes sou o sol e 
continuo seguindo este astro. As
vezes, sou a chuva, seguindo suas
correntezas, mas fugiam aos meus
olhos com tamanha esperteza.
Me trouxe o colorido, antes em
mim contido. Nos meus tempos
de dor, me trouxe a chuva e a minha
volta, tudo refrescou. Vou indo,
neste meu caminho, prosseguindo.
Não cheguei ainda, onde quero chegar,
vou agora fazer um pedido a minha
doce chuva, tem muitas pedras não
posso me machucar, vou pedir a ela
para retirar.

Luciana Bianchini

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